Combater ‘mordaça’ é defender escola pública, diz coletivo de mães e pais do CPII

A representante do coletivo CPII Diverso e Democrático fala no lançamento da frente

No lançamento da Frente CPII Sem Mordaça, representante do coletivo CPII Diverso e Democrático também destacou rejeição de ação contra servidores

IMPRENSA SINDSCOPE

Combater os movimentos conservadores que tentam cercear a liberdade de pensamento e de cátedra é parte da defesa da escola pública, gratuita e de qualidade. É o que afirmou o Coletivo CPII Diverso e Democrático, formado por mães, pais e responsáveis por estudantes do Colégio Pedro II, durante o lançamento da Frente CPII Sem Mordaça.

A abertura do ato, na noite da segunda-feira (11), no teatro do campus Tijuca II, teve ainda breves discursos de representantes do Sindscope e da Associação dos Docentes do CPII. Em seguida, ocorreu o debate Escola Democrática, encerrado por volta das 21h30min.

“Nos sentimos no dever de lutar e resistir lado a lado com os outros segmentos da comunidade CPII contra todo esse processo opressor de cerceamento do livre pensar, de perseguição e assédio a professores, técnicos e estudantes”, disse Andrea Oliveira, mãe de aluna do campus Tijuca II.

‘Opressão’

Ao ler texto elaborado para a ocasião pelo coletivo, Andrea criticou a transformação da Justiça em uma “mercadoria”, onde o que prevalece é o poder econômico, colocando em risco direitos “individuais e coletivos como ir e vir, se associar, se expressar”. O discurso também fez referência à situação política do país: “Enquanto a democracia desce pelo ralo, instala-se um sistema opressor que reforça preconceitos e suprime os direitos dos mais pobres e das minorias”.

A representante do coletivo CPII Diverso e Democrático, que completa um ano de existência, disse que a organização “nasceu da necessidade de resistir aos avanços conservadores, ultraliberais e reacionários dos grupos adeptos do Escola Sem Partido”, que passaram a instalar no CPII “um clima de denuncismo vazio e irresponsável, baseado num discurso de ódio e repressão do debate político e democrático através da judicialização do espaço público escolar, ações diametralmente opostas à prática político-pedagógica do Colégio Pedro II e que levaram essa escola ao patamar de uma das melhores Instituições públicas de ensino do país”.

Ação rejeitada

A decisão judicial que rejeita a ação civil pública, movida pelo procurador da República Fábio Aragão – contra servidores, o reitor, o sindicato da categoria (Sindscope) e o Psol –, foi mencionada e comemorada pelo coletivo de mães, pais e responsáveis. “[É mais] uma vitória de todos que lutam por um CPII Sem Mordaça e uma Escola Democrática”, disse Andrea.

Ela afirmou que é preciso resistir ao “golpe parlamentar, midiático e jurídico ainda em curso, entender todo o processo econômico nacional e internacional que motiva a atuação desses grupos, e seus falsos argumentos que tentam extinguir a democracia, representados no Colégio Pedro II pelos adeptos a ideologia do Escola Sem Partido”.

Por fim, saudou a constituição da Frente CPII Sem Mordaça e destacou a importância de unir responsáveis, estudantes e servidores numa mesma luta em defesa da escola pública e democrática. “Eles reagem, nós resistimos”, resumiu.

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