Trabalhadores terceirizados fundam associação no Colégio Pedro II

Trabalhadores terceirizados co CPII votam a favor da criação da associação

"Agora teremos voz", diz trabalhadora terceirizada após assembleia de fundação da primeira associação de terceirizados da história do CPII

IMPRENSA SINDSCOPE

Um passo fundamental para a organização da categoria e a defesa de seus direitos trabalhistas. Assim muitos dos participantes da assembleia que fundou a ATTCOPII, a Associação dos Trabalhadores Terceirizados do CPII, classificaram a decisão tomada na manhã da quinta-feira (18), no auditório do Sindscope, em São Cristóvão.

O relógio marcava 11h41min quando os quase 40terceirizados presentes à assembleia ergueram os braços para aprovar, por unanimidade, a criação da associação. Pouco depois, votavam o nome da entidade e a primeira comissão que irá conduzi-la. "A gente agora vai ter voz, vai poder falar, estou achando fantástico. O importante é a gente ser reconhecido, terceirizado não é reconhecido", disse a cozinheira Maria Nazaré, do campus de Realengo I, eleita para integrar o conselho fiscal da associação.

O Sindscope apoiou a criação da associação, mas não integra a entidade, que é autônoma e exclusivamente dos terceirizados. "Estamos cumprindo o que determina nosso estatuto", já havia explicado, em reunião anterior, a servidora Elizabeth Dutra, que integra a diretoria do Sindicato dos Servidores do CPII. Ela se referia à busca de alianças e parcerias com outras categorias profissionais. Mas, também, à decisão tomada no X Congresso do Sinscope, no ano passado, de apoiar a criação de uma associação que aglutine os terceirizados e fortaleça a organização deste segmento de trabalhadores do colégio. "Há muito tempo [defendemos] isso, mas só agora conseguimos [pôr em prática]", disse a servidora.

Salários e demissões

O processo político que levou à criação da ATTCOPII foi impulsionado por dois problemas comuns ao setor: a saída da empresa Luso Brasileira do colégio, com a demissão dos trabalhadores sem pagamento das verbas rescisórias, e o atraso nos salários de dezembro na Total Clean. Esses dois fatores levaram à realização de uma série de reuniões dos terceirizados, que culminaram com a criação da associação.

Para o porteiro Fabiano Coutinho, que também integrará o conselho da entidade, a decisão foi um passo "fundamental" para a categoria. "A gente não tinha ninguém para brigar pelos terceirizados, a gente vai ter mais força, uma voz a mais para falar por nós", disse, logo após a assembleia.

A criação da associação pode abrir um novo momento para os terceirizados no CPII, mas é preciso que haja a participação de todos. É o que alerta o trabalhador escolhido para presidir a ATTCOPII, o porteiro Jeferson dos Santos, do campus São Cristóvão II. "Acredito que agora a gente vai ganhar força e ter mais motivação, essa associação nos dá uma sensação de segurança", disse, destacando que todos devem participar e levar à comissão as necessidades e os problemas de cada empresa.

Dirigentes do Sindscope, que estiveram na assembleia como apoiadores, destacaram a importância da decisão tomada pelos terceirizados. "É um momento histórico", disse o servidor Marcos Ponciano, da coordenação do sindicato. Lúcio Milheiro, que também pertence à direção do Sindscope, mencionou a situação dos aposentados para mostrar que quem não se mobiliza fica esquecido e prejudicado. "Funcionário da escola que se aposenta passa a ser 'nada' para a escola. Se nós não brigarmos, sem medo, com honestidade, não [mudamos isso]", disse.

'Formiguinha'

As reuniões que levaram à fundação da ATTCOPII tiveram a participação e o apoio da presidente da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ), Waldinea Nascimento. Ela levou aos terceirizados do CPII relatos da experiência pioneira no Rio, ocorrida na Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Conquistamos muita coisa desde a criação da associação, três anos atrás", disse. Entre as conquistas, citou o depósito dos salários diretamente pela Reitoria quando as empresas atrasam por longo período o pagamento e o acesso ao restaurante universitário, antes negado aos terceirizados. "Nós não tínhamos direito ao Bandejão, não passávamos nem perto. Hoje isso mudou, e quando não sai o salário, o acesso ao Bandejão é automático", disse.

A representante dos terceirizados da UFRJ alertou que a fundação da associação não é o resultado final da mobilização, mas o início do desafio de consolidar a organização dos terceirizados. "Não vai ser fácil, vai ser um trabalho de formiguinha. Mas a cada vitória que você consegue, vai chegando mais gente. O Sindscope vai estar ao lado de vocês, mas eles não podem fazer por vocês, eles não são terceirizados. Só nós sabemos o que sofremos, o que é sermos escravizados", disse.

IMPRENSA SINDSCOPE