Trabalhadores terceirizados reafirmam necessidade de criar associação da categoria no CPII

Assembleia realizada na terça-feira, dia 16 de janeiro, na sede do Sindscope

Nova assembleia será realizada para fundar associação no Colégio Pedro II

IMPRENSA SINDSCOPE

Trabalhadoras e trabalhadores terceirizados do Colégio Pedro II voltaram a se reunir na sede do Sindscope, em São Cristóvão. Eles reafirmaram a intenção de constituir uma associação que agregue a categoria e ajude a organizar a defesa dos interesses e direitos do setor.

A atividade na manhã da terça-feira (16). Não foi dessa vez, porém, que a associação foi fundada: essa decisão acabou sendo postergada para a próxima assembleia – com o objetivo de atrair mais trabalhadores para a construção dessa ferramenta de organização da categoria.

Ao longo da conversa, os terceirizados relataram problemas que enfrentam no dia a dia no CPII, boa parte relacionados às condições de trabalho e a abusos e desrespeito contra trabalhadores do setor –em determinados momentos, visivelmente caracterizáveis como assédio moral.

Salários atrasados e demissões

Entre os terceirizados presentes, estavam vigilantes, cozinheiras da Total, que estavam com os salários de dezembro atrasados, e trabalhadores demitidos da Luso, que ainda não receberam os valores referentes à rescisão contratual.

As profissionais das cozinhas dos campi do CPII informaram que parte da categoria havia recebido o salário naquele dia, mas isso não havia, até aquela data, se confirmado para todos.

Associação

A presidente da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da Universidade Federal Fluminense (Attufrj), Waldinéa Nascimento da Hora, voltou a se reunir com os terceirizados do CPII – ela já estivera presente na assembleia transcorrida na semana anterior.

Waldinéa relatou a experiência da criação da entidade na UFRJ, que em abril completará três anos. "Todos nós da associação somos trabalhadores. Fiscalizamos tudo o tempo todo e a cada quinze dias nos reunimos com a Reitoria. Tivemos muitas conquistas [neste período]", afirmou. Entre elas, disse, o direito de os terceirizados terem acesso aos restaurantes universitários, nos mesmos critérios dos técnicos-administrativos estatutários.

Outro aspecto vitorioso da empreitada, disse, foi a consolidação da prática de a Reitoria assumir diretamente o pagamento de salários quando os atrasos se estendem por muito tempo. Nestes casos, a associação procura o Ministério Público do Trabalho, que estabelece um Termo de Ajuste de Conduta, o que permite legalmente que a Reitoria redirecione recursos que seriam destinados à empresa terceira diretamente para os trabalhadores.

Com relação aos terceirizados demitidos em novembro na Lusa, Waldinéa indicou que esse deve ser o caminho a ser seguido caso as verbas rescisórias não sejam pagas. “Para isso precisamos tanto da associação”, disse.

Sindscope apoia

Dirigentes do Sindscope participaram da assembleia. O sindicato vem apoiando a luta dos terceirizados, inclusive em relação à fundação de uma associação. Desta forma, dá encaminhamento à resolução aprovada no X Congresso dos Servidores do CPII, realizado em setembro último.

"Não estamos inventando a roda, estamos fazendo o que o estatuto do nosso sindicato diz: temos que trabalhar com outras categorias. É um apoio, mas a associação [a ser fundada] é de vocês", disse a servidora Elizabeth Dutra, da diretoria do Sindscope. Também participaram os diretores Marcos Ponciano e Roberto Adão.

IMPRENSA SINDSCOPE