‘Quem votou para revogar prisões apoiou quadrilha’, afirmam manifestantes na Alerj

Da escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj, policial lança bomba contra manifestantes - Fernando Frazão/Abr

Ato aconteceu em frente à Assembleia Legislativa do Rio, que votou nesta sexta (17) a revogação das prisões de Picciani, Paulo Melo e Albertassi

IMPRENSA SINDSCOPE

Quem votou para livrar os deputados pemedebistas da prisão foi conivente e apoiou a quadrilha que vem assaltando os cofres públicos do Estado do Rio de Janeiro. É o que afirmavam manifestantes que se reuniram em frente à Assembleia Legislativa, durante a tarde desta sexta-feira (17), para defender a manutenção da prisão dos deputados Jorge Picciani, presidente da Alerj, Paulo Melo e Edson Albertassi, líder do governo de Luiz Fernando Pezão no Legislativo, todos do PMDB.

Com a Assembleia Legislativa cercada por meio de grades e policiais, que lançaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo sobre os manifestantes, a maioria dos deputados decidiu revogar a decisão unânime do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro (TRF-2). Foram 39 votos a favor da liberdade para os pemedebistas, 19 contrários, uma abstenção e 11 ausências – entre elas os três que estavam presos e afastados do exercício do mandato.

Os três parlamentares estavam presos desde a véspera na Cadeia Pública Frederico Marque, mesmo local onde se encontra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho, que completou um ano de detenção nesta sexta (17). O ‘aniversário’ na cadeia foi lembrado por manifestantes da área da saúde com um ato, pela manhã, na porta do local.

Assim como Cabral, Picciani é suspeito de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As acusações envolvem a máfia dos transportes e empreiteiras. Eles integram a cúpula do PMDB no Estado do Rio e tiveram participação destacada nas políticas que levaram à privatização de serviços públicos no estado, como hospitais, por meio de organizações sociais, o Maracanã e a Cedae.

Parte considerável dos manifestantes que estiveram na Alerj era formada por servidores públicos estaduais, a maioria com salários e o 13º salário atrasados. “A Uerj vive hoje a maior crise da sua história e essa crise é responsabilidade deste governo, que ataca diretamente a população ao atacar a universidade”, disse, do carro de som, o professor Guilherme Mota, presidente da Asduerj (Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro). “Vamos deixar combinado aqui: o deputado que votar a favor de Picciani, Paulo Melo e Albertassi também faz parte da quadrilha”, afirmou o professor, cuja categoria está em greve.

Logo no início da tarde, a Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa já havia votado, em uma sessão fechada, pela revogação da prisão e o retorno dos três deputados aos seus cargos. Votaram pela prisão os deputados Luiz Paulo (PSDB) e Carlos Minc, enquanto Miltom Rangel (DEM), Rosenverg Reis (PMDB), Gustavo Tutuca (PMDB) e Chiquinho da Mangueira (Podemos) pela libertação.

A convocação da sessão teve como referência o recente julgamento do Supremo Tribunal Federal que livrou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). A decisão, cujo acórdão ainda não foi publicado, diz que medidas cautelares da Justiça contra deputados federais e senadores previstas no Código de Processo Penal devem ser submetidas à casa legislativa. O próprio TRF-2 determinara que a prisão fosse submetida ao Legislativo, em analogia com o julgamento do STF.

Protesto

Os sindicatos obtiveram na Justiça uma liminar assegurando o acesso às galerias, para que a população pudesse assistir à votação. Embora o presidente da Alerj em exercício, deputado Wagner Montes (PRB), tenha afirmado ter cumprido a decisão, os manifestantes denunciam que as galerias foram ocupadas com funcionários dos gabinetes para inviabilizar a entrada de pessoas favoráveis às prisões. “A verdade é que a decisão judicial foi descumprida e não tivemos acesso às galerias”, afirma a servidora Clara Fonseca, da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social no Rio de Janeiro.

Proibidos de entrar na Assembleia Legislativa, eles chegaram a forçar em algum momento as grades, mas não chegaram a em momento alguma a ultrapassar a barreira de ferro montada pela manhã. Mesmo assim, denunciam, a polícia usou de violência, deu tiros de bala de borracha e lançou muitas bombas contra as pessoas que ali estavam. “Não podemos esperar muita coisa, sabemos que nessa casa tem esse conluio muito grande com o Picciani, é maracutaia. Mas seria um dia importante para o povo [acompanhar] e saber o que está se passando nessa votação”, disse o operário Antonio Pedro, desempregado do Comperj e integrante do movimento SOS Emprego, pouco antes dos 39 deputados, três além do mínimo necessário, decidirem pela revogação das prisões.

VOTOS PELA SOLTURA (39)

PMDB (10)

  • André Lazaroni
  • Átila Nunes
  • Coronel Jairo
  • Daniele Guerreiro
  • Fabio Silva
  • Geraldo Pudim
  • Gustavo Tutuca
  • Marcelo Simão
  • Pedro Augusto
  • Rosenverg Reis

PDT (5)

  • Cidinha Campos
  • Janio Mendes
  • Luiz Martins
  • Thiago Pampolha
  • Zaqueu Teixeira

DEM (4)

  • Andre Correa
  • Filipe Soares
  • Marcia Jeovani
  • Milton Rangel

PP (3)

  • Dionisio Lins
  • Jair Bittencourt
  • Zito

Podemos (2)

  • Chiquinho da Mangueira
  • Dica

PSD (2)

  • Christino Áureo
  • Iranildo Campos

PR (2)

  • Nivaldo Mulim
  • Renato Cozzolino

Solidariedade (2)

  • Fatinha
  • Tio Carlos

PT (1)

  • André Ceciliano

PROS (1)

  • Marco Figueiredo

PSDC (1)

  • João Peixoto

PSL (1)

  • Marcio Canella

PT DO B (1)

  • Marcos Abrahão

PHS (1)

  • Marcos Muller

PTB (1)

  • Marcus Vinicius

PSOL (1)

  • Paulo Ramos (O parlamentar, que já se encontrava informalmente afastado do PSol, foi expulso pela legenda após votar pela revogação das prisões)

PSDB (1)

  • Silas Bento (PSDB)

 

VOTOS PELA PRISÃO (19)

PSOL (4)

  • Eliomar Coelho
  • Flavio Serafini
  • Marcelo Freixo
  • Wanderson Nogueira

PRB (3)

  • Benedito Alves
  • Carlos Macedo
  • Wagner Montes

PT (3)

  • Gilberto Palmares
  • Waldeck Carneiro
  • Zeidan

PSDB (2)

  • Osorio
  • Luiz Paulo

PSC (2)

  • Bolsonaro
  • Marcio Pacheco

PDT (1)

Martha Rocha (PDT)

REDE (1)

Dr. Julianelli (Rede)

PC DO B (1)

Enfermeira Rejane (PCdoB)

DEM (1)

Samuel Malafaia (DEM)

SEM PARTIDO (1)

  • Carlos Minc (sem partido)

ABSTENÇÃO (1)

  • Bruno Dauaire (PR)

AUSENTES (11*)

  • Bebeto (SDD)
  • Comte Bitencourt (PPS - licenciado)
  • Deodalto (DEM)
  • Geraldo Moreira (PTN)
  • Lucinha (PSDB)
  • Rafael Picciani (PMDB)
  • Tia Ju (PRB)
  • Zé Luiz Anchite (PP)
  • * Inclui os três deputados do PMDB que estavam presos: Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi

*Texto atualizado às 19h30min, após a votação

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