Profissionais da saúde realizavam ato em memória das vítimas da covid-19 quando foram atacados por militantes ligados ao presidente; agressão teve amplo repúdio na sociedade
IMPRENSA SINDSCOPE
Servidores da saúde foram lembrados e homenageados nas manifestações realizadas no 1o de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras. O Sindscope também divulgou mensagem nesse sentido. O motivo é evidente: o papel que essa categoria profissional cumpre no combate à pandemia do coronavírus. Evidência, porém, não reconhecida por um pequeno grupo de militantes partidários do presidente Jair Bolsonaro. Eles hostilizaram, insultaram e atacaram cerca de 60 mulheres e homens que trabalham na saúde e realizavam ato em frente ao Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na manhã de 1o de Maio.
Os manifestantes formaram filas em frente à sede do governo, mantendo alguns metros de distância e usando máscaras. Carregavam cruzes de madeira e faixas pretas no ombro. “Quantos mais?”, indagavam alguns cartazes, numa referência às vítimas da pandemia. A atividade foi organizada pela Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva, Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), SindEnfermeiro-DF e pelo Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do DF.
O ato prestou homenagens, mas também exigiu condições de trabalho para frear as mortes na categoria. Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen), no dia 27 de abril, indicam que até aquela data 57 profissionais do setor morreram pela covid-19 ou em situações suspeitas ainda não confirmadas. Os números se referem apenas à enfermagem e com certeza já são maiores. Naquele mesmo dia em que manifestantes ligados ao presidente Bolsonaro hostilizavam um ato em memória de quem perdeu a vida para defender a vida dos outros, morriam mais duas profissionais de saúde em Niterói (RJ): Luciana Roberto de Souza e Inês Procópio, do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap).
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