Um dia para dizer não ao genocídio e ao “horror” que governa o Brasil
Como já divulgado, reunidos em assembleia por videoconferência, servidoras e servidoras do Colégio Pedro II decidiram aderir à paralisação nacional do funcionalismo marcada para esta quarta-feira, dia 24 de março de 2021.
Não foi uma decisão fácil, diante das circunstâncias e da conjuntura atual.
Estamos em teletrabalho. As dificuldades sociais e as incompatibilidades pedagógicas do ensino remoto criam desafios enormes a serem superados pela educação pública, que nem por isso deixa de sofrer violentos ataques em seus orçamentos.
Jamais tantas pessoas tiveram as suas vidas interrompidas por uma doença no país em espaço tão curto de tempo; jamais tantos estiveram desamparados na dor de tantas perdas.
Sem dúvida, muito melhor seria se pudéssemos direcionar todas as nossas energias em buscar reduzir os danos causados pela tentativa de ensino por uma tela; pudéssemos nos concentrar em ações de solidariedade e empatia que complementassem programas de socorro social emergencial dignos que permitissem inclusive o lockdown; na construção do distanciamento e das medidas preventivas que tantas vidas podem salvar; no apoio a um programa decente e efetivo de vacinação em massa que ponha fim a esse pesadelo.
Infelizmente, não há ações de combate à pandemia por parte do atual governo. O que há é um deliberado boicote às medidas preventivas, à imunização rápida da população e à valorização dos setores públicos que hoje salvam vidas combatendo a crise sanitária.
É um escárnio que no mais grave momento da pandemia, o presidente não tenha medido esforços para aprovar no Congresso Nacional a PEC 186, que ataca os serviços públicos e pode levar ao congelamento dos salários dos servidores por muitos anos – inclusive dos que hoje diretamente se dedicam a combater a pandemia. Emenda Constitucional aprovada na base de chantagem, ao ser imposta como condição prévia para a aprovação de um urgente auxílio emergencial, que acabou rebaixado a vergonhosos R$ 150,00.
Presidente que agora tenta votar a ‘reforma’ Administrativa, que aprofunda os caminhos do desmonte dos serviços públicos e da precarização do trabalho do servidor. O que seria do Sistema Único de Saúde hoje se, digamos, 15 anos atrás já estivessem em vigor as medidas previstas na ‘reforma’ Administrativa? O que restaria da saúde e da educação públicas, que cumprem papel fundamental na luta contra o novo coronavírus? O que restaria do Colégio Pedro II? Bolsonaro foi ontem à TV, em rede nacional, e mais vez mentiu. Disse que jamais fez campanha contra a vacina e que faz tudo que pode para combater a pandemia. Assim como tenta apagar da história a censura e o autoritarismo que governou o Brasil durante a ditadura militar que defende, também tenta agora grosseiramente apagar o que fez e disse no ano passado – e que está gravado.
Em setembro, proibiu o seu despreparado general que ocupa o cargo de ministro da Saúde de firmar acordo com o Instituto Butantan para compra de vacinas CoronaVac. “Da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela [vacina] transmita segurança suficiente para a população pela sua origem”, disse. Para defender o cargo que conseguira, o general despreparado também incorreu em crime contra a nação ao dizer que obedeceria sem contestar o que o capitão mandou fazer.
No mesmo dia em que o presidente mentiu sem pudores em rede nacional, foram registradas 3.158 mortes por covid-19 no Brasil em 24 horas, o maior número em um ano de pandemia. No dia de hoje, 24 de março de 2021, o país inexoravelmente ultrapassará as 300 mil vidas perdidas. “E daí”, disse certa vez o mandatário genocida, que tenta calar seus opositores com ações ilegais e truculentas da polícia.
Nós, porém, não devemos, não podemos, nos calar. Quantas destas 300 mil mortes poderiam ter sido evitadas se em meados do ano passado o presidente tivesse autorizado o fechamento de contratos de compra de vacinas? Quantas dezenas ou centenas de milhares de óbitos que estão por ocorrer poderão ser evitadas se conseguirmos barrar o curso mórbido que este governo, destruidor dos serviços públicos e das políticas sociais, impõe ao país?
Não podemos nos calar. É por isso que os servidores e servidoras do Colégio Pedro II decidiram aderir à paralisação nacional do funcionalismo desta quarta-feira (24). Sim, é verdade que não será um dia de protestos que derrubará os genocidas que se instalaram em Brasília. Mas não precisamos parar por aqui. Um galo sozinho não tece a manhã, já disse o poeta. Sabemos que uma luta isolada não é capaz de mudar a realidade. Mas a história não cansa de demonstrar que a soma de muitas lutas e muitas vozes pode sim alterar o curso dos acontecimentos. É certo que seremos vitoriosos? Não. É possível vencer, mas ninguém pode assegurar isso. Porém, é certo que, pelo menos, teremos tentado. E só por isso, diante de tanto horror, já vale que façamos a boa luta, com a certeza de que estamos do lado certo da história.
Sindscope – Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II
