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Servidores denunciam ‘PEC da Rachadinha’ e cobram respostas a fortuna de Guedes em ‘paraíso fiscal’

Servidores e servidoras realizaram mais uma ‘recepção a parlamentares’ nesta terça (5), na qual a associação da ‘reforma’ Administrativa com o escândalo envolvendo o ministro Paulo Guedes foi inevitável 

IMPRENSA SINDSCOPE

A provável mais movimentada mobilização das servidoras e servidores contra a ‘reforma’ Administrativa (PEC-32) no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, na manhã desta terça-feira (5), teve como alvo central o ministro Paulo Guedes (Economia). Atividades no aeroporto vêm sendo realizadas para ‘receber’ os parlamentares que chegavam ao Distrito Federal e tentar sensibilizá-los a votar contra a proposta do presidente Jair Bolsonaro.

A atenção dada a Paulo Guedes reflete a recém-divulgada denúncia de que o responsável por ditar a política econômica no Brasil não tem confiança em manter o seu dinheiro no país – remetendo em segredo a sua fortuna para um paraíso fiscal no Caribe. “Paulo Guedes, seu fascistinha, a sua PEC tem cheiro de rachadinha’, cantaram os servidores em diversos momentos, na atividade realizada pela campanha contra a ‘reforma’ Administrativa que reuniu delegações do funcionalismo de várias partes do país no aeroporto da capital federal.

Os manifestantes defenderam ‘Fora Bolsonaro e Paulo Guedes’ e voltaram a afirmar em coro que o parlamentar que votar na ‘reforma’ que ataca os serviços públicos será lembrado nas eleições de 2022. “Quem votar, não volta”, disseram. O Sinasefe participou das manifestações.

Paulo Guedes é quem assina, junto com Bolsonaro, a Proposta de Emenda Constitucional 32/2020. O ministro já chamou servidores de “parasitas” em uma live e disse que o seu objetivo era colocar uma “granada no bolso dos servidores” – algo revelado involuntariamente após o Supremo Tribunal Federal determinar a divulgação da gravação de uma reunião ministerial, em abril do ano passado.

Paraíso fiscal

A notícia de que o ministro da Economia e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantêm contas milionárias no exterior levou parlamentares da oposição a defenderem investigação do caso e o afastamento imediato de ambos dos cargos que ocupam. Os dois foram convidados por comissões da Câmara a comparecer ao legislativo para dar explicações.

A revelação indesejada decorre da investigação jornalística que deu origem à série de reportagens “Pandora Papers”, iniciada no domingo, 3 de outubro de 2021, dia seguinte às mais de duas centenas de atos no Brasil que defenderam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro e repudiaram o ministro da Economia, Paulo Guedes.

É uma colaboração jornalística com cerca de 600 profissionais em mais de 100 países organizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. São milhares de empresas offshores investigadas a partir de dados entregues por fonte anônima ao consórcio faz um ano. A maioria das empresas foram abertas nas Ilhas Virgens Britânicas. Veículos como El País, Washington Post, Le Monde, The Guardian e BBC participam da investigação. No Brasil, ela envolve o Metrópolis, a Agência Pública, a revista piauí e o site Poder 360.

Offshores são empresas em paraísos fiscais, criadas por pessoas ricas para economizar impostos e ‘proteger’ recursos financeiros. Não são proibidas no Brasil, porém precisam ser declaradas à Receita e comunicadas ao Banco Central quando ultrapassam 1 milhão de dólares. Porém, ocupantes de cargos públicos estão legalmente proibidos de mantê-las, caso do ministro da Economia e do presidente do BC. 

Além da ilegalidade, parece eticamente inaceitável que ocupantes de cargos que ditam a economia do país mantenham dinheiro em paraísos fiscais, o que indica desconfiança com o quadro econômico nacional, e ainda possam lucrar a depender das decisões que tomem. Nas manifestações em Brasília nesta terça (5) – no aeroporto e em frente à entrada da Câmara – os servidores denunciaram o caso como escandaloso, criminoso e defenderam o fim do governo Bolsonaro.

IMPRENSA SINDSCOPE
Por Hélcio Lourenço Filho

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