
2020
Foram dias difíceis. Para os que perderam entes queridos, provavelmente os piores e mais terríveis já vividos. Para todos que cultivam a empatia pelo próximo, sem dúvida um ano sombrio e triste. Apesar disso, seguimos lutando.
Antes do isolamento, as mulheres já haviam outra vez levado às ruas as bandeiras da luta por um mundo sem machismo e com justiça social. Os petroleiros denunciaram o que significará a entrega das estatais à sanha privada. Abraçamos essas lutas.
O ano apenas começava. Veio a pandemia. E nos deparamos com os que bradavam que a economia não podia parar – os lucros acima de tudo.
Não nos calamos. Não nos calaram. Dissemos que são os corações de mulheres, homens e crianças é que não podem parar. É preciso assegurar condições de vida segura e dignas para todos na pandemia.
Também se alvoroçaram os capitalistas que viram na desgraça um bom momento para faturar mais: os lucros não podem parar, pensaram.
Combatemos Bolsonaro e os seus aliados que se aproveitaram do momento para “passar a boiada”: leia-se reduzir salários, retirar direitos, privatizar o que é público e escancarar as portas para madeireiros e o agronegócio incendiarem nossas florestas. Na educação, vender um pacote fraudulento de ensino remoto tornou-se mantra para muitas corporações. O lucro não pode parar, pensaram outra vez.
Resistimos. As assembleias se converteram em fórum virtuais. Panelaços e barulhaços ecoaram por ruas de norte a sul do país.Os atos voltaram a ser convocados por meios remotos e mesmo nas ruas, mas sob medidas de segurança sanitária.
Repudiamos o racismo e a violência genocida contra pobres, pretos e favelados. Priorizamos o apoio solidário com os que vivem em situação de vulnerabilidade social.
No Colégio Pedro II, estivemos juntos nos conselhos, nos grupos de trabalho, nas plenárias virtuais, nos manifestos, nas lutas e na solidariedade.
Refutamos o faz de conta de um modelo remoto incapaz de ensinar, excludente e que pavimenta o caminho do desmonte da educação pública e gratuita.
Apostamos e abraçamos a ideia do acolhimento e da interação.Dissemos que é a luta e a vida que não podem parar.
É dezembro. A gripezinha já levou mais de 180 mil vidas. As autoridades patinam com planos fakes de uma vacinação que precisa ser urgente e para todos.
Há, inacreditavelmente, quem comemore e diga que estamos bem.
Mas há esperança: graças ao empenho dos cientistas, das nossas instituições públicas, dos nossos profissionais da educação, da saúde e dos serviços públicos – dos que apostam na Ciência e ajudam a salvar vidas.
Tudo o que os que governam esse país tentam destruir e levar com a “boiada”.
Sim, há esperança: porque, apesar dos pesares, muitos seguimos defendendo coletivamente um mundo melhor. Um mundo com justiça social, no qual a vida digna para todos e todas esteja acima de tudo.
Seguimos na luta. A vida não pode parar.
Que tenhamos um 2021 de luta, de vida e de conquistas.
Vai passar.
