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Parem de nos matar

Não era amor, foi feminicídio

Na quarta-feira, dia 2 de junho de 2021, as mulheres de Niterói vivenciaram mais um feminicídio bárbaro. Uma jovem de apenas 22 anos foi assassinada a facadas na Praça de Alimentação do Plaza Shopping Niterói por volta das 13h. Vitórya era uma jovem trabalhadora, estudante e gostava de desenhar nas horas vagas. Uma mulher cheia de sonhos e perspectivas que perdemos para o machismo e patriarcado que romantizam a posse sobre nossas vidas e nossos corpos nessa sociedade.

Uma vida interrompida por um homem covarde que negou a autonomia e liberdade dela e diminuiu sua existência. No mesmo dia pela manhã, por volta das 9 horas, a tenente da Marinha Pamela foi atacada por um cabo com dez facadas pelas costas em seu local de trabalho por não concordar com uma avaliação funcional, a tenente não chegou a óbito, mas continua internada.

Estes dois casos semelhantes mostram que a violência contra mulheres não se resume a casos isolados no Brasil. Expressam relações de poder que os homens querem manter sobre as mulheres. O feminicídio é um “crime de ódio” contra mulheres, onde homens não aceitam que sejamos sujeitos com direitos às escolhas e poderes sobre nossas vidas.

O feminicídio é a expressão extrema de violência contra as mulheres e as mulheres negras são a grande maioria das vítimas desta crueldade, por isso, o feminicídio não anda só, ele se combina com traços marcantes do racismo estrutural.

A cada 2 horas uma mulher é assassinada no Brasil e nosso país ocupa o 5º lugar no ranking mundial de países com maior número de feminicídios. Em Niterói, nos preocupa o aumento da violência contra a mulher, principalmente quando observamos que os crimes mais cometidos na cidade têm sido lesão corporal dolosa, com 1.223 casos, e violência psicológica, com 1.264 casos (Dossiê Mulher, 2020, ISP).

Por isso, o movimento feminista da cidade está construindo esta homenagem unificada à Vitórya e a todas as mulheres vítimas de violência nesse país. Acreditamos que este assassinato deve servir de alerta para a Prefeitura de Niterói que precisa destinar mais verbas no combate à violência contra a mulher, criando uma Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Assim como a imediata implementação do Programa de Combate ao Feminicídio que já foi aprovado na Câmara dos Vereadores e aguarda sanção do prefeito. Reivindicamos também a construção de casas-abrigo como prevê a Lei Maria da Penha e a destinação de aluguel social para as vítimas de violência.

Além disso, necessitamos de uma política educacional nas escolas que debata sexualidade e as violências contra as mulheres, com vistas a prevenir que casos como estes não aconteçam novamente.

MAIS VERBAS NO COMBATE A VIOLÊNCIA ÀS MULHERES EM NITERÓI
NENHUMA A MENOS!

Nos colocamos nas ruas novamente em meio à pandemia do coronavírus para lutarmos por nossas vidas. Não podemos ficar paradas enquanto assistimos o assassinato de mulheres tanto pelo descaso do governo diante da pandemia quanto pelas mãos de feminicidas. Gritamos pelo fim do feminicídio, por políticas de proteção à mulher e por vacina!

FORA BOLSONARO! É PELA VIDA DAS MULHERES!

Como Denunciar a Violência Doméstica em Niterói?
Ligue 180 (Grátis/24h) – Central de Atendimento à Mulher
DEAM Niterói (24h/presencial) – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – Av. Ernani do Amaral Peixoto, 577, 3º andar – Centro
Ceam Niterói – Centro Especializado de Atendimento à Mulher (segunda a sexta, das 9h às 17h) – Rua Cônsul Francisco Cruz, 49 – Centro – Tel.: (21) 2719-3047

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