Ato em Brasil reuniu representações de servidores de vários estados e estudantes para denunciar milhões de Paulo Guedes em paraíso fiscal no exterior e a ‘política genocida de fome e mortes’ de Bolsonaro
IMPRENSA SINDSCOPE
Ossos, ‘dólares’ e ‘sangue’. Servidoras, servidores e estudantes protestaram em frente ao Ministério da Economia na manhã desta quinta-feira, 7 de outubro de 2021. Expuseram o contraste entre a fortuna do ministro Paulo Guedes mantida no exterior por meio de uma empresa offshore, o aumento da insegurança alimentar e da fome no Brasil e a tentativa do governo em aprovar uma ‘reforma’ Administrativa que coloca em risco direitos universalizados como saúde e educação.
Manifestaram-se com muito barulho e uma ‘chuva de dólares’, ‘cédulas’ manchadas de sangue e que traziam o rosto do ministro estampado – além da exposição de uma geladeira com ossos bovinos e frases escritas à mão: “Fora Bolsonaro, Fora Guedes. A miséria não acaba porque dá lucro. Não à PEC 32”. A atividade ocorreu na quarta semana consecutiva de mobilizações dos servidores em Brasília contra a ‘reforma’ Administrativa, que o governo tenta aprovar no Plenário da Câmara. O Sinasefe participou da organização do ato.
“Guedes, parasita é você”, afirmaram, em coro e em faixas, sobre o ministro que já chamou assim o funcionalismo, o que hoje nega que tenha dito, apesar das gravações que provam o contrário. Afirmaram ainda que o superministro do governo de Jair Bolsonaro é autor de uma proposta de ‘reforma’ Administrativa (PEC-32) que abre caminho para a corrupta prática da ‘rachadinhas’ nos serviços públicos.
O ato começou bem próximo dali, no Espaço do Servidor, também na Esplanada dos Ministérios. Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou por 310 votos a 142 convocar Paulo Guedes – assim como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que igualmente possui uma empresa offshore no Caribe -, a comparecer ao Plenário para explicar por que mantém, em dólares, quase R$ 51 milhões na conta de uma empresa aberta num paraíso fiscal no Caribe.
No Brasil, pessoas que ocupam cargos públicos como os deles estão proibidas legalmente de manter investimentos assim. A revelação indesejada decorre da investigação jornalística que deu origem à série de reportagens “Pandora Papers”, iniciada no dia 3 de outubro. Colaboração jornalística com cerca de 600 profissionais em mais de 100 países organizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, envolve milhares de empresas offshores e se desenvolve a partir de dados entregues por fonte anônima.
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