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Após dizer que governo privatizará saúde pública, Guedes vai à Câmara defender reforma Administrativa

Pouco mais de duas semanas após defender privatizar saúde e educação e afirmar que pobres quebram o país ao insistir em não morrer, ministro da Economia deve defender a ‘reforma’ Administrativa (PEC 32) na CCJ nesta terça (11)

IMPRENSA SINDSCOPE

Exatos 18 dias após afirmar que o governo privatizará a saúde pública e atribuir a suposta quebra da máquina estatal no Brasil ao crescimento da expectativa de vida do brasileiro pobre, o ministro Paulo Guedes vai falar sobre a ‘reforma’ Administrativa (PEC-32/2020) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta terça-feira, dia 11 de maio de 2021, a partir das 10 horas.

A sessão será transmitida pela TV Câmara no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UC-ZkSRh-7UEuwXJQ9UMCFJA). Entidades que participam da campanha pela rejeição da proposta estão convocando servidores e a população a se manifestar nas redes sociais durante a audiência. O Sindscope participa desta luta. A informação sobre a ida virtual à CCJ foi confirmada à reportagem pela secretaria do colegiado.

O principal ministro do presidente Jair Bolsonaro não irá à comissão presencialmente. A participação será por vídeo e decorre de um requerimento apresentado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP). Inicialmente uma convocação obrigatória, o requerimento foi posteriormente convertido em convite por acordo no colegiado que analisa a admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional 32/2020.

A participação ocorre pouco mais de duas semanas após Guedes provocar polêmica ao defender a privatização da saúde pública, substituindo o serviço público pela distribuição de vales (voucher) para a população usar nos hospitais privados quando precisar de atendimento. Também chegou a sugerir que o modelo seria ideal também para a educação pública.

As declarações foram dadas em um evento do Ministério da Saúde, no qual expressou surpresa ao ser informado que estava sendo transmitido ao vivo pela internet. Primeiro, disse que o Estado quebrou porque as pessoas que dependiam da saúde pública estavam vivendo demais – ninguém queria morrer antes dos 80 ou 90 anos, assinalou.

A frase, que soaria mal em quaisquer circunstâncias, repercutiu ainda mais negativamente por ser dita em meio ao agravamento de pandemia que vem matando mais de dois mil brasileiros por dia. Pela primeira vez em 65 anos, a expectativa média de vida no Brasil vai cair devido à covid-19. Segundo a BBC Brasil, estudo liderado pela demógrafa Márcia Castro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, já demonstra que o impacto será de quase dois anos.  

Guedes também disse que o governo irá substituir os serviços públicos de saúde por empresas privadas. Com isso, afirmou, os brasileiros pobres poderiam decidir se querem ou não ir ao Hospital Albert Einstein, um dos mais caros do país e que costuma atender a autoridades e empresários. 

Ao prometer hospital reservado aos ricos e famosos para o povão, o ministro de Bolsonaro mais querido pelo empresariado usou o auxílio emergencial como exemplo. “Nós vamos ter que fazer na saúde igual se fez no auxílio emergencial. Pobre tá doente? Dá um voucher para ele. Quer ir no [Hospital Albert] Einstein? Vai no Einstein. Quer ir no SUS, pode usar seu voucher onde quiser. Não tem gestão na saúde pública”, disse. 

Não mencionou, obviamente, qual é o valor-base atual do auxílio emergencial que usou para defender o voucher na saúde: cinco reais por dia para quem se encontra em vulnerabilidade social na pandemia, conseguiu se cadastrar no ano passado e não foi eliminado sem explicações pelo sistema informatizado do governo. É preciso quatro vezes mais que esse valor para parar o carro por 20 minutos no estacionamento de qualquer unidade deste hospital privado de São Paulo.

IMPRENSA SINDSCOPE

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