Manifestação conjunta desta quinta-feira (25), no Clube de Engenharia, exigirá a revogação da condenação do metalúrgico Zé Maria e se solidarizará com as lutas em defesa do povo palestino. Ato está sendo convocado por uma ampla frente progressista de organizações políticas, sindicais e dos movimentos populares, entre elas o Sindscope.
IMPRENSA SINDSCOPE
Há algo escandalosamente errado na sociedade quando uma manifestação tem como principal mote a defesa de uma pessoa que foi condenada a dois anos de prisão porque defendeu a vida e condenou uma ação bélica que já matou, em números não controversos, mais de 70 mil seres humanos, a maioria mulheres e crianças.
Pois é isso que ocorrerá na noite desta quinta-feira, dia 25 de junho de 2026, no Rio de Janeiro. Ato marcado para começar às 18 horas, no auditório do Clube de Engenharia, no 22o andar do prédio 124 da Avenida Rio Branco, no Centro da cidade, expressará uma solidariedade coletiva e institucional por parte de dezenas de entidades políticas, sindicais e sociais ao metalúrgico José Maria de Almeida.
A condenação de Zé Maria decorreu do discurso proferido em um ato realizado em 2023. Ao falar, ele denunciou o genocídio do povo palestino e responsabilizou e repudiou o governo sionista de Israel.
A ação foi ajuizada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). As entidades, mantidas pelo Estado de Israel, promovem campanhas de perseguição judicial contra jornalistas e figuras públicas que se colocam contra o genocídio em curso na Faixa de Gaza ou simplesmente relatam o que está acontecendo naquela parte do mundo.
José Maria de Almeida é um metalúrgico que desde os anos 1960 atua nas lutas políticas e sindicais no Brasil. Em abril de 1980, era um dos militantes sindicais que foram presos pelos órgãos de repressão da ditadura empresarial-militar por conta das greves que colocaram em xeque a república dos generais e depois entraram para a história. Entre os companheiros de cela, estava o também metalúrgico e hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros ativistas e dirigentes sindicais. Ficaram cerca de 30 dias encarcerados nas dependências do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em São Paulo, e foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional.
Um dos fundadores do PT e da CUT nos anos 1980, Zé Maria hoje é presidente nacional do PSTU e participa da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). No entanto, o ato desta quinta-feira não é uma manifestação restrita a esta ou aquela corrente ou pensamento político.
Diante da gravidade do ocorrido, que criminaliza as lutas sociais e a liberdade de expressão de um modo que faz lembrar os tempos sombrios do arbítrio, uma ampla frente de entidades e organizações políticas, sindicais e sociais estão convocando a manifestação conjuntamente.
Entre elas, a CUT, CTB, CSP-Conlutas, PT, PSOL, PCdoB, PCB, PSTU, UP, MRT, CST, PCBR, Emancipação Socialista e Partisan, entre outras.
Além da solidariedade, é motor deste apoio uma evidente constatação: a condenação de José Maria de Almeida não é um assunto privado ou restrito, é um ataque às liberdades democráticas e um aviso para o conjunto dos militantes dos movimentos políticos, sociais e sindicais.
O Sindscope soma forças nesta frente e convida a comunidade escolar do CPII a participar da manifestação desta quinta-feira (25). O apoio decorre de uma decisão aprovada e ratificada em assembleia geral da categoria. Deliberação que coloca o Sindicato dos servidores e servidoras do Colégio Pedro II na campanha que se solidariza com o povo palestino, condena os bárbaros ataques das forças bélicas israelenses, reivindica a liberdade de expressão e afirma que ‘defender a vida não é crime’ e ninguém pode ser condenado por isso: “pela revogação da condenação de Zé Maria já!”.
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