Sindicatos convocam servidores a intensificar mobilizações contra ‘reforma’ Administrativa; Rio terá ato no Buraco do Lume no dia 14, a partir das 16h
IMPRENSA SINDSCOPE
Apenas uma semana após participar de atos que defenderam fechar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro tentará, com sua base no parlamento, colocar em votação na Câmara dos Deputados a ‘reforma’ Administrativa (PEC-32).
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), confirmou que a proposta será levada a voto na comissão especial que a analisa entre 14 e 16 de setembro, semana seguinte às ameaças de Bolsonaro contra a democracia, que levaram provavelmente à maior crise institucional depois da redemocratização do país.
Trabalhadores dos serviços públicos e de estatais – nas esferas municipal, estadual e federal – planejam manifestações contrárias a isso para terça-feira, dia 14 de setembro de 2021. Os atos públicos estão sendo organizados por meio das entidades representativas da categoria, das frentes e fóruns de luta do setor e com apoio de centrais sindicais.
Os protestos devem acontecer em todas as capitais dos estados e em outras cidades e vão defender o arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional 32/2021. Na capital fluminense, a plenária virtual do Fórum Unificado em Defesa do Serviço Público e das Estatais definiu que o ato será na Praça Mário Lago (Buraco do Lume), a partir das 16 horas, no Centro do Rio – o uso de máscara é obrigatório. Está prevista ainda manifestação em Brasília na mesma semana.
Para a noite desta sexta-feira (10), está marcada uma assembleia nacional do setor público, por videoconferência, na qual se debaterá os próximos passos desta fase da luta para barrar a PEC-32.
Lira e Bolsonaro
O governo conta com o empenho do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para colocar a proposta em votação. O líder do Centrão, eleito para chefia da casa legislativa sob denúncias de apoio irregular de Bolsonaro com verbas públicas, reafirmou a intenção de levar a voto a PEC-32 na comissão especial e, em seguida, no Plenário.
Lira, que nega as denúncias contra ele, diz que a reforma não é mais do governo e terá o seu conteúdo redefinido pelo Legislativo. “Estamos cumprindo o script que fizemos na campanha, tudo o que está sendo votado foi pauta de nossas eleições. Dizíamos que íamos discutir as reformas, os projetos que destravam a economia foram votados pela Câmara”, disse, segundo a Agência de Notícias Câmara.
O parlamentar segue sentado em cima de mais de cem pedidos de abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro. A pressão para que eles sejam apreciados – prerrogativa constitucional do presidente da Câmara – cresceu e ganhou adesões inclusive de setores mais conservadores, após a última ameaça golpista de Bolsonaro.
Nas manifestações da extrema-direita no feriado da Independência, centralizados em Brasília e em São Paulo, o presidente disse que não cumpriria mais decisões do Judiciário das quais discordasse. Os atos também tiveram faixas pela intervenção militar e o fechamento do Congresso Nacional. Não havia mensagens defendendo direitos ou projetos que atendam demandas sociais da população.
No mesmo dia, movimentos sindicais e sociais realizaram protestos em dezenas de cidades – numa junção dos tradicionais atos do Grito dos Excluídos e Excluídas com o movimento ‘Fora Bolsonaro’. As manifestações também defenderam direitos da classe trabalhadora e a rejeição da reforma que ameaça os serviços públicos. O Sindscope ajudou a construir os protestos no Estado do Rio – e fez uma cobertura ao vivo dos protestos, em parceria com a Aduff, o Sintuff e o Sepe-Niterói (para assistir à gravação, clicar aqui).
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