O Fórum das Entidades Nacionais dos Serviços Públicos (Fonasefe} divulgou nota na qual denuncia que a página da campanha contra a ‘reforma’ administrativa foi censurada pelo Facebook e retirada do ar. A empresa estadunidense de redes sociais não divulgou comunicado público explicando os motivos. Ao Fonasefe, que mantém a página, respondeu por meio de mensagem que a exclusão se deve ao descumprimento dos “padrões da comunidade”. Não explicou, porém, o que teria sido desrespeitado.
Segundo o Fonasefe, interesses de grandes grupos empresariais no fim dos serviços públicos, prestados gratuitamente à população, estariam por trás do banimento da página. Esses grupos privados, segundo as entidades representativas dos servidores, apoiam o governo de Jair Bolsonaro e os seus projetos para a economia. “A nossa página ataca diretamente os interesses políticos do governo e dos empresários do país, que desejam destruir os serviços públicos com a Reforma Administrativa para que o povo seja obrigado a pagar por serviços privados”, diz trecho da nota.
O Fórum dos Servidores, do qual o Sindscope e o Sinasefe participam, desenvolve uma campanha política ancorada com vídeos e outros materiais contrários à Proposta de Emenda Constitucional 23/2020. A PEC enviada por Bolsonaro à Câmara dos Deputados é a primeira fase da ‘reforma’ administrativa. As entidades sindicais que constituem o Fonasefe vêm buscando unir servidores federais, estaduais e municipais, assim como trabalhadores de estatais, para defender os serviços públicos e deter as privatizações. Novas manifestações, virtuais e presenciais, estão convocadas para 28 de outubro, Dia do Servidor. Pouco antes, no sábado (24), acontece uma plenária nacional da campanha, por videoconferência.
O documento associa o caso a outras denúncias de bloqueio de conteúdos de campanhas políticas e eleitorais progressistas envolvendo o empresário estadunidense Mark Zuckerberg, um dos proprietários do Facebook, Instagram e WhatsApp.
Escândalos
Segundo o “Observatório das Eleições”, mais de R$ 14 milhões já teriam sido gastos por políticos que disputam as atuais eleições no Brasil com propaganda no Facebook e Instagram. De acordo com revelação do jornal “O Globo” de julho último, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto dobrou os gastos com o Facebook no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2019, passando de R$ 1,12 milhão para R$ 2,3 milhões.
As empresas do grupo estiveram envolvidas em escândalos recentes relacionados à violação de informações sobre usuários e distribuição de notícias falsas. Entre eles, a manipulação de dados que ajudou a eleger o presidente Donald Trump nos Estados Unidos, em 2016, e o envio ilegal de mensagens falsas em massa pelo WhatsApp, que favoreceram Jair Bolsonaro em 2018, no Brasil.
Mudanças nos algoritmos que determinam a distribuição de conteúdo da plataforma, ocorridas em 2017, também estariam beneficiado publicações conservadoras e restringindo materiais oriundos de fontes consideradas progressistas. Foi o que afirmou o “Wall Street Journal”, em recente reportagem publicada no dia 16 de outubro. Os algoritmos são um recurso técnico de direcionamento de quais postagens chegarão à tela de cada usuário.
IMPRENSA SINDSCOPE
Íntegra da nota do Fonasefe:
“O Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais) vem a público denunciar que o Facebook desativou arbitrariamente a página da Campanha em Defesa do Serviço Público Contra a Reforma Administrativa levada a cabo pelos servidores públicos federais.
A desativação ocorre durante a pandemia, num momento crucial em que o governo Bolsonaro e a maioria do Congresso Nacional buscam prejudicar o povo brasileiro novamente. A Reforma Administrativa proposta por Paulo Guedes acabará com os concursos públicos na prática, ampliará a terceirização e a privatização de serviços públicos essenciais como saúde e educação.
Isso aumentará a desigualdade social e a corrupção no país, com a destruição desses serviços e com o aumento dos cabides de emprego e de práticas como a rachadinha de salários entre funcionários comissionados e políticos.
É notório e está sendo divulgado em diversos meios de comunicação nos últimos meses que o Facebook tem restringido as postagens políticas e isso atinge diretamente as organizações sindicais e os partidos de oposição ao governo Bolsonaro. Apesar de ser uma organização privada, o Facebook não está acima da Constituição brasileira, que defende o direito à liberdade de expressão.
A página de nossa campanha sofreu uma primeira desativação temporária no início da tarde do dia 30/09/2020, justamente na data de um grande ato em defesa do serviço público em seria usada para fazer sua transmissão, e depois foi reativada no período da noite do mesmo dia.
Depois, no dia 08/10/2020, o Facebook nos enviou nova mensagem de desativação. Solicitamos análise e o Facebook nos respondeu com a seguinte mensagem em 09/10/2020: “Você não pode usar o Facebook porque a sua conta, ou a atividade nela, não seguiu os padrões de nossa Comunidade. Nós já analisamos essa decisão e ela não pode ser revertida. Para saber mais sobre os motivos pelos quais desativamos contas, acesse os padrões da Comunidade”. E nada mais.
Para o Fonasefe está muito claro o motivo da desativação da página da campanha: trata-se de perseguição política e cerceamento ao direito à liberdade de expressão, como temos observado, por exemplo, em bloqueios das redes sociais de Mark Zuckerberg contra outras campanhas políticas e eleitorais do campo progressista.
A nossa página ataca diretamente os interesses políticos do governo e dos empresários do país, que desejam destruir os serviços públicos com a Reforma Administrativa para que o povo seja obrigado a pagar por serviços privados.
Por isso, o Fonasefe repudia as práticas antidemocráticas do Facebook, convoca a todos aqueles que defendem a democracia e a liberdade de expressão a se juntarem à luta pela reativação da página da Campanha e informa que vai tomar as medidas legais cabíveis contra esse absurdo. Não vão nos calar!
FONASEFE, 20/10/2020”