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Greve da categoria rodoviária: por que a diretoria do Sindscope apóia esta luta 

Diretoria do Sindscope declara apoio e reafirma compromisso com o direito à organização sindical e à greve. Destacando ser momento oportuno para debater a necessidade de mudanças radicais na mobilidade urbana fluminense. Que sejam capazes de reverter os desastrosos resultados que as privatizações e o pacto entre governantes corruptos e empresários mafiosos causaram ao transporte público no Estado do Rio de Janeiro.

IMPRENSA SINDSCOPE

A greve da categoria rodoviária é um apropriado momento para pensar a mobilidade urbana na capital do estado e região metropolitana. O transporte público no Rio de Janeiro retrocedeu. De braços (e bolsos?) dados com grandes empresários do setor, governantes conseguiram nas últimas décadas fazer o que parecia impossível: piorar em quase todos os aspectos o que já não era nada bom.

Os preços das passagens – em especial do trem, barcas e metrô – aumentaram, em alguns casos estratosfericamente, após as privatizações da segunda metade dos anos 1990. A prometida expansão a partir da entrega do controle destes transportes para o setor privado não aconteceu. Ao contrário, retrocedeu no caso da precarizada e sucateada ferrovia. Mais ainda no transporte marítimo (barcas, catamarã): em uma cidade de quase 7 milhões de habitantes, nascida e crescida às margens da Guanabara de águas tranquilas e navegáveis, esse modal é responsável por menos de 2% do total de passageiros transportados por dia.

O tormento 

Não bastasse essa desconstrução criminosa de governantes e do grande empresariado, a falta de mobilidade se agravou e hoje é comum um trabalhador ou trabalhadora gastar entre uma e três horas por trajeto ao ir para o trabalho e retornar para casa. Obviamente não seria assim, haveria de se melhorar o trânsito e o transporte, se essa hora a caminho do trabalho fosse remunerada. 

Após a pandemia, tudo se agravou no modal rodoviário: as mudanças que já estavam em curso, com menos linhas e menos ônibus, dificultando o acesso das áreas suburbanas ao Centro e à Zona Sul, foram aceleradas. Até linhas conhecidas por circular 24 horas por dia e com muitos carros passaram a demorar e quase encerrar a circulação à medida que a noite avança.   

A máfia 

A realidade caótica dessa articulação que torna privado o lucro e socializa a precarização das condições de transporte não é movida apenas à incompetência. É notório o envolvimento de empresários de ônibus na corrupção institucionalizada que hoje controla o Estado do Rio de Janeiro e já levou quatro governadores à prisão.

Um deles, aliás, Sérgio Cabral Filho, disse em uma delação voluntária não premiada que o esquema pesado de corrupção nasceu e se apoderou das instâncias de poder do estado a partir da privatização da antiga CTC (Companhia de Transportes Coletivos do Rio), a companhia estadual pública de ônibus. Naturalmente, a informação foi solenemente ignorada pelos meios de comunicação e pelas autoridades da ocasião.

A luta 

É nesse contexto que acontece a greve das trabalhadoras e trabalhadores rodoviários do Rio, a primeira conjunta da categoria após 12 anos, iniciada na segunda-feira, dia 29 de junho de 2026. Categoria que, assim como o transporte público no Rio, viu despencar a sua qualidade de vida, condições de trabalho e remuneração nos últimos anos.

Toda greve, essa em especial, inevitavelmente gera transtornos. No entanto, além de justa, a categoria exerce um legítimo e legal direito, infelizmente a todo momento desrespeitado pelo Poder Judiciário, que estabelece multas e cotas mínimas de funcionamento que quase sempre geram o caos, tumultuam a vida urbana e atacam o direito de greve.

Como obrigar um trabalhador ou trabalhadora a se submeter a um transporte que já é caótico em dias normais a enfrentá-lo com a frota reduzida? Já a Prefeitura finge nada ter a ver com isso e não usa as suas prerrogativas para que apenas serviços emergencialmente essenciais sejam mantidos nestes dias, até que haja um desfecho deste processo? 

É com essa compreensão, e seguindo o seu compromisso histórico e estatutário de defender o direito à livre organização sindical e à greve, que a Diretoria do Sindscope apoia a luta e o movimento paredista da categoria rodoviária do Rio. 

Com essa compreensão a Diretoria do Sindscope apoia a greve: que a intransigência das empresas recue e se faça justiça. Que se somem forças pelo fim do pacto de vandalismo social, privatizações e irregularidades selado entre governantes e o empresariado, fábrica de sofrimento diário para milhares de rodoviários e milhões de pessoas na Cidade Maravilhosa e no entorno. 

IMPRENSA SINDSCOPE
1/7/2026

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