A assembleia das servidoras e servidores do Colégio Pedro II, convocada pelo Sindscope e realizada no dia 10 de fevereiro de 2022, se posicionou enfaticamente pelo apoio aos integrantes do Conselho Superior (Consup) alvos de ataques e ameaças nas redes sociais e repudiou os que patrocinam tais atos covardes.
Transcorrida por videoconferência e com a participação de mais de 200 servidoras e servidores, a assembleia fez um amplo debate e, neste aspecto, ressaltou que a discordância de opiniões, o debate de ideias e a crítica são saudáveis e legítimas. Sem deixar de se posicionar favoravelmente ao retorno presencial imediato, a assembleia destacou, no entanto, que ficou bem longe do debate saudável e democrático o que se viu recentemente nas redes sociais no contexto das discussões sobre quando se dará o retorno pleno ao trabalho e às aulas presenciais.
Conselheiras e conselheiros foram alvos de ataques levianos, violentos, oportunistas, calcados em mentiras, alinhados aos movimentos de ódio disseminados nas redes pelas políticas reacionárias e, muitas vezes, criminosos.
Vivemos um momento muito delicado. Faz dois anos que estamos submetidos a uma pandemia que já pôs fim a mais de 630 mil vidas, apenas considerando os certamente subnotificados dados oficiais. Já foi demonstrado por cientistas que centenas de milhares de óbitos poderiam ter sido evitados se não estivéssemos sob um governo federal dominado pelo negacionismo, pelas fake news, por práticas antidemocráticas e alinhadas aos interesses de mercado e privatistas – marcadas por inúmeras denúncias de irregularidades e corrupção.
Causa estranheza movimentos que atacam desta forma e com tais métodos servidoras e servidores que ao longo deste período se empenharam em defender a democracia interna no Colégio Pedro II, a manutenção dos recursos públicos criminosamente cortados da educação e a preservação de vidas, seja de estudantes ou trabalhadores, acima de tudo.
Oportunistas de plantão se aproveitam deste momento delicado – no qual temos ciência da necessidade da aula presencial e nos deparamos outra vez com os números da pandemia próximos de mil vidas perdidas por dia – para atacar as instâncias democráticas do Colégio Pedro II – conquistas das lutas históricas da comunidade escolar. Confundem-se com os rechaçados movimentos reacionários contrários à educação pública, como o Escola Sem Partido e a milícia bolsonarista nas redes sociais.
Acreditamos que sejam minorias – porém, como todos oportunistas, tentam surfar nas circunstâncias do momento, no qual há a legítima e compreensível insatisfação vigente com o ensino remoto. Modelo educacional, aliás, cada vez mais difundido pelo mercado, de olho no lucro fácil, e incentivado por governos, sobre a qual faz muito tempo o movimento sindical na educação trata de modo crítico, defende regulamentações e limitações e mesmo o combate, para impedir a destruição da escola e da universidade pública e gratuita.
Posições que, sabemos, muitas das vozes que hoje fazem os ataques de ódio aos integrantes da instância democrática do CPII não comungam, já que são famintos defensores do ensino a distância, da precarização do trabalho, da militarização das escolas e da privatização de tudo que possa de alguma forma gerar lucro ao capital, inclusive a escola pública.
Diretoria do Sindscope Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II
(Texto elaborado com base em posicionamento aprovado na assembleia geral realizada em 10 de fevereiro de 2022)
