
Ao retornar às ruas, mulheres convocam luta contra Bolsonaro, violência fascista e em defesa de direitosA noite da superlua de segunda-feira (9) iluminou o Rio de coragem feminista contra a violência e fascismo que se formou na avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro. Milhares de mulheres foram às ruas dizer não ao feminicídio, à retirada de direitos e aos governos fascistas que promovem e incentivam a violência. O ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres, o #8M RJ, foi organizado por mais de 90 entidades dos movimentos social e sindical, coletivos de mulheres e partidos políticos.
Em manifesto, as idealizadoras lembraram que é fundamental a luta, pois vivemos em um “contexto de crise econômica e social, alto desemprego, retirada de direitos e desmonte do Estado e dos serviços públicos” e que se somam a isso as reformas da previdência e administrativa, os ataques aos direitos das mulheres e ao feminismo, além da ameaça autoritária, por parte do governo federal, de fechamento do Congresso e do STF.Atuando na construção de um sindicalismo antissexista, o Grupo de Trabalho de Mulheres do Sindscope fez o chamado e as servidoras e servidores do Colégio Pedro II responderam com entusiasmo e disposição, indo para a rua com seus panfletos, adesivos, bandeiras e estandartes. Priscila Bastos, da direção do sindicato, saudou a presença das trabalhadoras da educação no ato e explicou que as lutas das mulheres não terminam em uma data: “Estaremos sempre nas ruas para combater este desgoverno, que tanto ataca os nossos direitos: os das mulheres e os da classe trabalhadora como um todo”, disse.A manifestação, que na concentração na Candelária parecia pequena, foi ganhando força na medida em que se dirigia à Rio Branco. Além das dezenas de entidades, sindicatos e coletivos, mulheres e homens que saíam do trabalho foram se incorporando.
O engenheiro Roberto Souza, de 34 anos, contou que não programava participar da manifestação. Explicou que considera fundamental a luta contra o machismo, e que por isso, ao ver o ato passar, mudou de planos e se integrou ao movimento. “Não basta nós, homens, nos dizermos não-machistas. É essencial que trabalhemos para que o machismo deixe de existir: ouvirmos as mulheres e aprendermos a efetivamente combatê-lo. Estou aqui para somar e aprender”, disse.O ato teve mensagens contra o machismo, o racismo e a violência, além da defesa de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores. Embaladas pela música saída dos inúmeros instrumentos que se espalharam pela avenida, as mulheres entoavam em coro canções pela legalização do aborto, por um mundo feminista e igualitário, por direito à vida e trabalho e contra os governos fascistas.
