O Sindscope possui uma história política de quase 36 anos, tendo sido criado e mantido pelos servidores do Colégio Pedro II – técnicos administrativos e professores.
Durante esse tempo, inúmeras foram as batalhas e as conquistas deste sindicato: fizemos greves, fizemos paralisações, fizemos manifestações, passeatas… fizemos caravanas a Brasília, para chamar o governo a sua responsabilidade diante dos problemas da educação pública.
Plano de cargos e salários, reajustes salariais, eleições diretas para Reitores e Diretores, manutenção da escola em esfera federal, gratuidade total do ensino, concursos públicos e convocação de concursados, RSC; tudo isso foi pauta de nossas lutas.
Portanto, elevar o Colégio Pedro II a sua condição de excelência sempre passou e passa por nossa luta, que é incansável, que é de todos os dias. Acolhemos diariamente os desejos, os anseios, os questionamentos dos nossos sindicalizados. Fazemos o possível e o impossível para não deixá-los sem uma resposta.
Hoje, vivemos uma crise sem precedentes, uma pandemia de dimensões e impactos que nós nunca tínhamos passado. Por isso mesmo a prefeitura do Rio de Janeiro acaba de decretar diversas medidas para conter a circulação de pessoas pela cidade.
Abalados com tantas perdas, tememos pelos nossos entes queridos, por nós mesmos, por nossos alunos, pela comunidade escolar. Mesmo assim, não abandonamos o trabalho, realizamos reuniões e assembleias a distância, para avaliar passo a passo a crise sanitária.
Esse esforço árduo de nossa diretoria nunca deixou de colocar em primeiro lugar o objeto do nosso trabalho que é a manutenção do “Ensino Público, gratuito e de qualidade”, que é o bem estar do aluno, em última instância. Por isso mesmo, a responsabilidade cresce, levando em consideração que a vida está em jogo nesse momento. Por isso, agora, priorizamos a luta pela vacinação de nossa comunidade escolar e de toda a população brasileira. Estamos vivendo o maior pico da pandemia, o maior número de mortes diárias e, assim, desejamos a proteção de todos contra o vírus.
Quando notamos que a pandemia avança, o que podemos fazer é lutar cada vez mais, pois o governo Bolsonaro, negacionista e irresponsável, não recua. E, assim, fazemos a luta interna e externa contra as possíveis ações que colocariam em risco a vida de qualquer ser humano não só da nossa comunidade, mas de todas as partes do país.
A pandemia prolongada obriga a instituição a promover atividades a distância para os nossos alunos, porém enfrentamos ainda problemas de diversas naturezas, os quais apontamos, para que possam ser sanados, uma vez que se trata de experiência nova para todos. Por essa razão, tal assunto vem sendo debatido em nossas últimas assembleias.
Como se pode notar, a nossa história conta, por si só, o que nós somos: um sindicato sério, autônomo e que não visa a acordos que possam prejudicar os servidores, os alunos e nem suas famílias. Tal história não vai ser manchada por um reitor que não reconhece tudo que já fizemos em prol da comunidade escolar, assim chamando-nos de “corporativistas”, “retrógrados” e “sem ideologia adaptada ao tempo” (se é que isso existe), algo que, pela própria natureza do que fazemos, nunca fomos e nunca iremos ser.
Precisamos registrar que todas as nossas decisões e todos os nossos atos são resultantes de acirrados debates e deliberações de assembleias, respeitando aquilo que os servidores sindicalizados apontam como sendo o melhor para a nossa instituição.
Por respeito a um trabalho que sempre foi efetivo e que nunca deixou a desejar, nesse momento, repudiamos as ameaças que sofremos de judicialização por parte do reitor, ressaltando que não é a primeira e nem será a última ameaça que sofremos durante esses quase 36 anos. As intimidações não nos afastarão do enfrentamento quando for necessário defender os interesses dos trabalhadores.
Temos consciência de que a luta é sempre justa por melhores condições de trabalho e pela qualidade da educação que promovemos.
Ressaltamos que o que é injusto é não acatar as deliberações do CONSUP, a mais alta instância decisória do Colégio Pedro II, atropelar o debate e as decisões dos Conselheiros da instituição, tomar decisões unilaterais, sem levar em consideração os anseios da comunidade escolar, sem buscar o diálogo, principalmente com este sindicato histórico, que não pretende recuar da sua luta por uma educação para o povo, para os pobres.
Nessas circunstâncias, concluímos que temos a consciência tranquila, com relação ao nosso trabalho e, desde já, afirmamos: a luta continua.
Diretoria do Sindscope
(Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II)
