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Nota pública da Diretoria do Sindscope sobre o Retorno Presencial 100% no Colégio Pedro II

A diretoria do Sindscope vem por meio desta nota analisar e se posicionar a respeito dos últimos eventos relativos à discussão do momento do retorno 100% presencial em nossa instituição.

•Consideramos que a eclosão da pandemia do covid19 em nosso país resultou em uma mudança de 180 graus na educação brasileira, num primeiro momento, com o governo Bolsonaro e as grandes corporações empresariais tentando aproveitar a oportunidade para realizar uma das metas do seu governo: implantar, através do trabalho e ensino remoto, a EaD na educação básica (o que rapidamente se mostrou totalmente inviável);

•A implantação das atividades laborativas na forma remota, seja em que modalidade for, foram impostas aos servidores com o governo se eximindo de qualquer auxílio financeiro ou operacional adicional;

•Com o alongamento da pandemia, fruto em grande medida da política negacionista e genocida deste governo, a realidade se tornou cada vez mais dura, desgastante e cruel do ponto de vista social e, em nosso caso, particular, no educacional;

•Depois de praticamente dois anos de trabalho e ensino remotos é muito natural que o desgaste, o cansaço, o estresse, enfim, o mal-estar social e individual estejam profundamente marcados em todos nós;

•Em particular, para as trabalhadoras, sejam servidoras técnico-administrativas e docentes, sejam mães e responsáveis, este desgaste é muito mais profundo, pois a pandemia e o isolamento social combinado ao trabalho remoto representaram uma elevação exponencial na carga de tarefas das mulheres em geral, ampliando em muito o seu desgaste físico, mental e emocional;

•O ensino remoto escancarou a desigualdade social brasileira, levando a uma profunda marginalização no processo de ensino-aprendizagem das crianças e jovens oriundos das camadas mais pobres de nossa sociedade: exclusão social, desânimo e evasão se acentuaram;

•Por outro lado, o reitor do Colégio Pedro II viu nessa oportunidade o momento de procurar burlar a legislação e submeter o Consup, órgão máximo da instituição, aos seus desmandos, tal como os antigos diretores-gerais faziam com a congregação;

•Isso significou que um tempo caro para que o Colégio se organizasse para garantir a elaboração de protocolos sanitários e lutasse pela liberação das verbas contingenciadas fosse perdido, tendo que a comunidade escolar se envolver em uma luta interna, que só se resolveu por decisão judicial;

•Entendemos, portanto, que a cada mês que se passa aumenta o contingente de pessoas da comunidade escolar (servidores, estudantes e pais/responsáveis) ansiosas pelo retorno presencial das atividades escolares, de forma plena e segura a todos;

•A última reunião do Consup no ano passado, ocorrida em dezembro, apontou, por unanimidade, o retorno presencial pleno em 7 de fevereiro de 2022;

•Nesse ínterim, o mundo se viu diante de uma nova variante da covid 19, a ômicron, de rápida disseminação e ação, em particular em crianças na faixa etária até 12 anos, que até então se atingida, não desenvolvia os sintomas da doença;

•Mais uma vez, vimos a ação do governo federal, que buscou tergiversar e atrasar o início da vacinação na faixa dos 5 aos 11 anos, e de seus aliados midiáticos disseminando inverdades, medo e insegurança junto aos responsáveis em relação à eficácia e necessidade da imunização dessas brasileiras e brasileiros;

•Acreditamos que não haja entre todos os membros da comunidade escolar do Colégio quem não deseje o retorno presencial pleno das atividades o mais rápido possível;

•O último Consup votou o retorno semipresencial com nova avaliação em 25 de fevereiro e reanálise da Portaria 2389 em 18 próximo;

•Não contestamos o direito daqueles que defendem o retorno presencial pleno e imediato de se manifestarem junto à sociedade, inclusive foi a decisão majoritária de nossa última assembleia. Porém, isso não pode significar o direito a indivíduos ou grupos de se utilizarem de métodos escusos de perseguição a servidores pelas redes sociais, com uma política de desqualificação pessoal e ameaças a suas integridades físicas e morais. Isso não faz parte do jogo democrático, esta postura tem outro nome, trata-se de discurso de ódio, vinculadas, nessa atual conjuntura, a setores da extrema direita;

•Destacamos que a educação de qualidade se faz com investimento em seus recursos patrimoniais e humanos e apontamos que, neste momento, por palavras do próprio reitor deste Colégio na reunião do Consup de 2 de fevereiro, o orçamento da instituição vivencia um decréscimo de 24% em suas verbas, em comparação a 2018;

•Informamos que os servidores acumulam, apenas neste atual mandato do governo federal, perdas salariais no montante de 20% e se encontram em campanha salarial unificada pela recomposição de suas perdas;

•Os salários dos servidores técnico-administrativos tiveram seu último reajuste em 2016 e os servidores docentes em 2018;

•Além disso, está fechada a possibilidade de concursos públicos para contratação de novos servidores e processos de seleção para contratação de docentes;

•O Sindscope estará sempre na defesa da educação pública, laica, democrática, de qualidade, com referência social e aberto a construirmos junto a defesa do Colégio Pedro II.

Diretoria do Sindscope
(Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II)

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