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“Novo normal” para quem?

Manifesto do Gt Mulheres Sindscope

A pandemia mundial do SARS-COVID-19 tem apresentado inúmeros desafios à sobrevivência de trabalhadoras e trabalhadores, sobretudo nas regiões do planeta mais atingidas pela disseminação da doença. A crise humanitária em que vivemos há um ano coloca em destaque os efeitos das diversas formas de desigualdade social, como a de
gênero.
Se nossa sobrecarga de trabalho já era evidente, durante a pandemia isto se agravou muito. Seja pela divisão sexual de trabalho, seja pelo trabalho invisibilizado de manutenção da vida que majoritariamente somos nós a exercermos. Sem nossas redes de apoio, isoladas, temos arcado com o custo de fazer da casa o nosso local trabalho, sete dias por semana. Estamos com nossos filhos e filhas em tempo integral; entre o café, almoço, jantar, cesto de roupas, limpeza da casa e teletrabalho, cresce a exaustiva exploração das mulheres nesse cotidiano do “novo normal”.
Além das questões de saúde pública em meio ao panorama nacional dramático, causado pela falta de gestão federal, estamos expostas a enfermidades ocupacionais causadas pelo uso excessivo de computador, por exemplo, como ressecamento ocular, inflamação no ouvido, lesão por esforço repetitivo. Exposição e assédio por meios virtuais vão se configurando, também, em novas ameaças à saúde e à integridade física das trabalhadoras, além da violência doméstica que tem crescido muito no confinamento.
Na Educação, não estamos de fora desse quadro de grande sobrecarga às mulheres trabalhadoras durante a pandemia. Constituímos um campo de atuação essencialmente feminino, sobretudo na Educação Básica. No Pedro II, somos 60% da força de trabalho, de acordo com dados do Relatório Integrado de 2018. Entretanto, muitas vezes esse dado parece ser desconsiderado na tomada de decisões da instituição, em que ainda prevalece uma perspectiva predominantemente masculina no planejamento de medidas, as quais caberá a nós mulheres, em grande medida, garantir a plena execução. Se os espaços de decisões democráticos são reconhecidamente muito importantes, precisamos defender que seja garantida a nossa participação.
Para que isso seja possível é preciso que reconheçamos que, para além de toda essa situação mais ampla, a estrutural desigualdade permanece nas atuações de companheiras e companheiros no cotidiano do trabalho remoto: enquanto os homens estão muito mais presentes nas iniciativas que implicam em tomada de decisão e visibilidade do trabalho, notamos sua ausência no momento de executar o que for decidido, ainda mais se forem funções “de bastidores”, cujo reconhecimento é menos imediato. Enfrentamos uma situação de sobrecarga e vulnerabilidade no nosso trabalho
de forma geral, mas especialmente no período de trabalho remoto, essa composição de fatores significa uma sobrecarga ainda maior para as mulheres trabalhadoras deste colégio.
Não é uma questão apenas de reconhecimento da nossa sobrecarga, mas sim de fazer valer nosso direto à vida digna. Precisamos dispor de condições materiais, demandadas pelo trabalho que estamos exercendo hoje, tais como: energia,
computador, internet e dispositivos portáteis. Estamos cobrando os recursos tecnológicos que devem ser garantidos pela instituição para o pleno exercício de nossas funções. Identificadas as diferentes condições a que somos submetidas, nossa carga horária de trabalho no CP2 precisa também ser repensada durante a pandemia.
Se o momento atual nos impõe a busca de novas práticas educativas, também nos chama a seguir rompendo com a desigualdade de gênero.
Por uma Educação não sexista!
Exigimos: condições materiais de trabalho e reelaboração da nossa carga horária

Imagem: reprodução internet

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