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Servidores iniciam campanha e querem construir greve conjunta para derrubar congelamento salarial 

Mobilização nas ruas começa nesta terça (18) com atos em Brasília para entrega de documento ao Ministério da Economia. Também haverá movimentação nas redes sociais

IMPRENSA SINDSCOPE

Servidoras e servidores públicos federais organizam campanha nacional para pôr fim ao prolongado período de congelamento salarial e exigir reposição das perdas salariais. O movimento também defende o arquivamento imediato da proposta de ‘reforma’ do governo Bolsonaro para os serviços públicos (PEC 32).

Reunião ampliada virtual do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), do qual o Sinasefe e o Sindscope participam, definiu um calendário de mobilização que aponta, inclusive, para a construção de uma greve nacional por tempo indeterminado.

As entidades sindicais querem que seja inserido no Orçamento da União previsão de reajuste para todos, e não apenas para quem é da área de segurança federal, como deseja o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O calendário definido pelo Fonasefe indica o dia 9 de março para início do movimento paredista. Todas as propostas serão submetidas a assembleias de base dos diversos segmentos e entidades sindicais do funcionalismo envolvidas nesta articulação. A Diretoria do Sindscope ainda convocará assembleia para iniciar este debate.

A primeira manifestação pública conjunta acontecerá já nesta terça-feira, 18 de janeiro de 2022: será um dia nacional de mobilização, com ato simbólico em Brasília, em frente ao Banco Central, às 10 horas, e, à tarde, no Ministério da Economia. O uso de máscara é obrigatório. 

Não estão previstos atos presenciais nos estados. Haverá movimentação nas redes sociais, com a categoria sendo chamada a compartilhar mensagens que busquem dar visibilidade à luta.

As entidades sindicais vão levar ao ministro Paulo Guedes (Economia) um documento reivindicando a reposição das perdas salariais para todos os setores do funcionalismo. Algumas categorias planejam paralisar por 24 horas neste dia, entre elas os servidores e servidoras da Receita Federal – onde mais de 800 ocupantes de postos de chefias entregaram seus cargos em um ato coletivo de protesto. As atividades deste dia estão sendo convocadas em conjunto com o Fonacate (Fórum Nacional de Carreiras Típicas de Estado).

CALENDÁRIO DE MOBILIZAÇÃO

18/1 – Ato unificado dos servidores públicos em defesa do reajuste salarial para todos.
– 10 horas – Concentração no Banco Central
– 14 horas – Ministério da Economia

21/1 – Próxima reunião do Fonasefe.

27/1, às 15h – Plenária Nacional dos Servidores Públicos Federais (organizada pelo Fonasefe, por videoconferência).

28/1 – Coletiva de Imprensa, às 10h.

2/2 – Ato em Brasília no retorno do recesso Legislativo e Judiciário (caso haja condições sanitárias).

14/2 a 25/2 – Proposta de entrada em Estado de Greve, com jornada de mobilização no período.

09/3 – Indicativo de Greve Geral do Funcionalismo Público.

Inflação

A inflação acumulada em 2021 de 10,06%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou em números o tamanho da corrosão em curso dos salários. 

O peso da inflação sobre os salários do funcionalismo público é sentido com mais força desde que a Emenda Constitucional 95 foi aprovada, no final de 2016. A EC 95 fixa um teto para as despesas orçamentárias da União – congelando-as por 20 anos – que penaliza principalmente os serviços públicos e as políticas sociais, enquanto mantém sem limites as despesas com juros e amortizações de dívidas públicas. A campanha defende a revogação desta emenda constitucional.

PEC 32: luta conjunta como marca

A busca da unidade para derrubar o congelamento ocorre logo após a campanha conjunta que conseguiu impedir a aprovação da ‘reforma’ Administrativa em 2021. Embora a PEC 32 siga pronta para ser apreciada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, não há quaisquer previsões de data para votação e pouco espaço político para o governo fazer isso esse ano. 

Uma das prioridades do governo Bolsonaro, a PEC 32 prevê, inclusive, mecanismo de redução dos salários dos servidores. O Sindscope participou e ajudou a organizar a campanha que deteve a ‘reforma’ no ano passado. Mesmo sem clima político para votá-la, o governo segue atuando pela PEC 32 e a ameaça permanece: faz poucos dias, o ministro Paulo Guedes disse que a aprovação da proposta poderia abrir margem orçamentária para conceder reajustes salariais no setor público. Não deu detalhes e tampouco de onde sairia a economia imediata para isso. 

A luta que está sendo construída pela reposição das perdas salariais traz na pauta também a defesa dos serviços públicos e o arquivamento da ‘reforma’ Administrativa.

IMPRENSA SINDSCOPE
Por Hélcio Lourenço Filho

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