Dados de 2022 mostram o Brasil como recordista em crimes contra vidas LGBT’s
Às primeiras horas da madrugada de 28 de junho de 1969, forças policiais invadiram o bar Stonewall Inn, em Nova York, nos Estados Unidos. Uma rotineira e repressiva batida policial que resultou numa reação que até hoje, 54 anos depois, não terminou e segue viva.
Numa época em que homossexualidade ainda era considerada um distúrbio psíquico e criminoso, reuniam-se frequentemente no bar gays, lésbicas, transexuais e travestis não brancos.
Naquela noite, algo inusitado aconteceu: eles se defenderam. Foram dias de violentos embates entre a comunidade LGBT e a polícia. A revolta repercutiu mundialmente. Desde então, este espírito de luta e combatividade contra as opressões passou a ser exemplo e combustível da comunidade LGBT+ na luta pelos direitos de cidadania para esta população.
Nasceu daí o Dia Mundial do Orgulho LGBT+: “Foi no corpo a corpo, no pedra a pedra, que Marsha [P. Johnson], e suas companheiras e companheiros conseguiram inaugurar amplamente algo muito maior que um movimento, a visibilização de um modo de existência”, explicou a jornalista e professora universitária Fabiana Moraes, citando a ativista negra e drag queen Marsha P. Johnson, uma das protagonistas da Batalha.
O Levante de Stonewall inaugurou uma nova percepção identitária na população LGBT+ (primeiramente nos Estados Unidos, depois no resto do mundo). No ano seguinte ao episódio, muitos foram às ruas para celebrar o primeiro aniversário do emblemático dia, plantando a semente das Paradas do Orgulho LGBT+ que hoje acontecem em quase todos os países.
O Brasil segue sendo o país no qual se mata mais LGBT’s no mundo. Dados extraídos do dossiê produzido pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ mostram que a cada 32 horas, um LGBT foi assinado no país em 2022.
O Observatório, inaugurado em janeiro de 2020, é coordenado pela Acontece – Arte e Política LGBTI+, pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT). O trabalho é realizado por meio de uma base de dados compartilhada entre as instituições.
O Sindscope, neste 28 de junho de 2023, lembra que a luta contra a lgbtfobia deve ser bandeira de todas e todos. A diversidade, o amor, a inclusão e a equidade são valores universais a serem defendidos sempre e por quem queira, de fato, construir uma sociedade justa e igualitária.
