GT de Negras e Negros do Sindscope participa da manifestação pelo fim da violência policial e de Estado contra o povo negro, que acontece ao final da tarde desta quinta (24), com concentração na Candelária
IMPRENSA SINDSCOPE
Integrantes do Grupo de Trabalho de Negras e Negros do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II, em referência às manifestações desta quinta-feira (24), afirmaram que não basta ser mais um ato para contar e chorar ‘nossos mortos’. É preciso ir além disso, defenderam, e marcar um novo momento nesta luta urgente e inadiável.
“Não pode ser mais um ato, mas sim o despertar de consciência para um problema social”, afirmou, à reportagem do Sindscope, o servidor aposentado Roberto Adão, que integra a coordenação do GT.
Destacando a importância da participação na manifestação que, no Rio de Janeiro, se concentra ao final da tarde na Candelária, no Centro da cidade, de onde sairá em passeata até o Buraco do Lume, na Praça Mário Lago, disse ser preciso combater essa consolidação de uma política oficial genocida.
“É um problema racial, econômico, social e político. Pois, se vem fortalecendo uma postura de governo de que os oprimidos são descartáveis e daí tratados como coisa sem valor. A cor da pele negra é o alvo a ser abatido. Infelizmente, a maioria dos oprimidos são de pele negra. Essa matança, esse genocídio tem que acabar. Precisamos de uma Sociedade mais justa, mais igualitária e com maior distribuição de renda”, disse.
A servidora Eliete Ana Barbosa, também aposentada e do GT de Negras e Negros, observa que se aprofunda cada vez mais o caráter de política de Estado desta violência. “Como se não bastasse a perpetuação das desigualdades, representada pela falta de acesso da comunidade negra aos bens sociais, o genocídio do povo negro vem se aprofundando como política de Estado”, disse. “Mas não vão nos calar, vamos às ruas denunciar e lutar por políticas que interrompam essa escalada e punam os culpados”, disse.
Para o militante do movimento negro André Formiga, que também participa do GT do Sindscope, convocar atos e manifestações de tempos em tempos não atinge a raiz do problema e é incapaz de interferir de fato nesta realidade social.
“A violência policial não é nova, é de longuíssima data, desde sempre talvez, e segue cumprindo o papel e tarefa para qual foi pensada e constituída. O seu papel de violentar, oprimir, eliminar e atemorizar essas populações que vivem nas favelas e demais áreas pobres”, disse, também à reportagem do Sindscope.
Ressaltando que expressa a opinião de uma pessoa preta que há 52 anos vive na favela, André Formiga disse que muitas vezes pode ser mais cômodo e fácil para muitos fazer um ato, no lugar de construir iniciativas cotidianas que efetivamente possam ser capazes de levar a mudanças.
Para ele, é preciso pautar a opressão e violência do Estado e da polícia no cotidiano, nas ruas, praças; nas favelas, nas áreas pobres; nas universidades, sindicatos, escolas. “Fazer uma discussão com todos que integram o campo progressista, [atuar para] criar um movimento a médio e longo prazo para que essa coisa se modifique”, disse.
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Por Hélcio Lourenço Filho
