Servidora docente, morta este mês, foi a primeira mulher a ocupar a direção do Colégio Pedro II, numa nomeação que teve sabor de eleição e de luta popular.
IMPRENSA SINDSCOPE
Com a publicação de um livro que versa sobre o processo de democratização do Colégio Pedro II, o Sindscope prestará uma homenagem póstuma à servidora docente Maria Amélia Amaral Palladino, que faleceu no dia 14 de julho de 2026.
Na assembleia, servidores e servidoras lamentaram a perda, se solidarizaram com familiares, amigos e colegas e destacaram a importância de Maria Amélia para o movimento que demarcou uma nova fase no CPII, mais democrática e inclusiva.
Diretora-geral do Colégio Pedro II no período de 1993 a 1994, Maria Amélia foi a única mulher nomeada para o cargo – quando ainda não estavam estabelecidos os critérios de eleição para as gestões da instituição.
Nascida em 19 de outubro de 1939, a docente era bacharel honoris causa. Professora de Português e Literaturas Brasileira e Portuguesa, exerceu ainda a direção das Unidades Escolares Humaitá II e Centro.
Poetisa, também presidiu a Academia Luso-Brasileira de Letras. Em reconhecimento à dedicação da professora, a Reitoria decretou luto oficial no colégio por três dias após o seu falecimento. As cerimônias de despedida ocorreram, no dia seguinte, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Homenagem
A assembleia realizada no dia seguinte ao seu falecimento, de modo online, aprovou que o Sindicato publicará, no formato impresso, o livro “O Processo de Democratização do Colégio Pedro II e a sua Equiparação com os Demais Institutos Federais”, de autoria do servidor William Carvalho, decorrente de sua pesquisa de mestrado.
Não é uma biografia de Maria Amélia, mas tem na docente a principal personagem, longamente entrevista pelo autor na busca de elementos sobre um período histórico iniciado nos anos 1990.
A obra resgata o processo de democratização em um momento especialmente agitado e mobilizado nas ruas da política brasileira, que levaria à queda do governo de Fernando Collor, o primeiro presidente a ser eleito pelo voto direto após os 21 anos de ditadura empresarial-militar.
Mais do que documentos, relatos revelam que Maria Amélia, embora nomeada pelo ministro da Educação do governo que sucedeu a Collor, Itamar Franco, que ocupava a vice-presidência, tomou posse amparada por um movimento que ganhou apoio e popularidade entre estudantes e servidores. A candidatura foi lançada política e informalmente para o cargo, quando a eleição para os cargos de direção do colégio eram ainda uma reivindicação.
O fato histórico está documentado em um abaixo-assinado com mais de 5 mil subscrições. Está também estampado em fotografias que mostram pichações na porta do campus Centro e até no metrô, lançando o seu nome para direção da escola.
Movimento que a tornaria a primeira mulher a ocupar a direção-geral da secular instituição de ensino. “A principal preocupação [de minha gestão] foi estabelecer as eleições no Colégio Pedro II”, disse Maria Amélia, numa entrevista que a levou às lágrimas, resumindo assim a sua gestão.
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