Decisão foi tomada na assembleia desta terça (26), no campus Tijuca II; paralisação nacional do funcionalismo pressiona por avanços nas negociações com o governo: ‘Reajuste Sim, reforma Administrativa Não’ é o mote do movimento; haverá nova assembleia no dia 3, com debate pedagógico sobre a violência na escola, e manifestação conjunta dos serviços públicos e estatais à tarde, no Centro do Rio
IMPRENSA SINDSCOPE
Servidoras e servidores do Colégio Pedro II decidiram aderir à paralisação nacional por 24 horas convocada para o dia 3 de outubro de 2023, próxima terça-feira. A deliberação teve como motor a constatação de que sem mobilização e reação dos servidores, não haverá avanços nas negociações salariais com o governo federal e o congelamento das remunerações voltará a prevalecer.
A decisão foi tomada, por maioria dos votos, na assembleia geral desta quarta-feira (26), realizada no auditório do campus Tijuca II. A movimentação combina a pressão sobre o governo Lula para que de fato negocie com os sindicatos da categoria e pelo arquivamento da ‘reforma’ Administrativa com a defesa dos serviços públicos, das estatais e da soberania do país.
O dia de paralisação terá assembleia pela manhã, a partir das 9 horas, no Teatro Mário Lago, em São Cristóvão, e ato à tarde. A manifestação uniram servidores, trabalhadores de estatais e terá um convite à população para participar. A concentração inicial será na Petrobrás, na rua da Quitanda, a partir das 15 horas. De lá, se caminhará até a Candelária, local previsto como ponto de encontro dos servidores. Dali, a manifestação se dirigirá à avenida Chile, sendo encerrada com um ato entre as sedes da Petrobras e a do BNDES.
A assembleia no dia em que o CPII vai parar contará com um “Debate pedagógico sobre a violência na escola”. O tema decorre do caso ocorrido, em sala de aula, no CPII no Humaitá, onde uma professora foi agredida em sala de aula, num caso relacionado a desafios em redes sociais. O caso e a posição coletiva da categoria foram abordados na assembleia.
Mobilização nacional
A paralisação teve o indicativo aprovado tanto na plenária geral dos servidores públicos federais quanto na plenária do Sinasefe.
A data deliberadamente coincide com o aniversário de 70 anos da Petrobras e está sendo construída em articulação com outros setores do setor público – um dia em defesa das estatais, dos serviços públicos e contra as privatizações, que hoje ameaçam ambos setores.
A paralisação e a jornada de mobilização são parte da campanha salarial do funcionalismo, que busca a recomposição das perdas salariais, reajuste dos benefícios, a reestruturação das carreiras, a revogação de medidas infralegais dos governos Temer e Bolsonaro e o arquivamento definitivo da ‘reforma’ Administrativa (PEC-32).
A jornada de mobilização, prevista para acontecer de 2 a 7 de outubro, foi aprovada na plenária nacional dos servidores públicos federais, organizada conjuntamente pelo Fonasefe (Fórum das Entidades Sindicais Nacionais dos Servidores Públicos Federais), do qual o Sindscope e o Sinasefe participam, Fonacate (Fórum das Carreiras Típicas de Estado) e centrais sindicais. Para o dia 3, também estão previstos atos públicos em Brasília e em outros estados. Nova plenária está marcada para o dia 7 de outubro, cujo objetivo é dar continuidade à mobilização da campanha salarial.
Pauta interna
A Dedicação Exclusiva para docentes recém-empossados no Colégio Pedro II, licença para estudos e relato de como foi a audiência, além de outros pontos das pautas internas da categoria, foram temas pautados para a assembleia no campus Tijuca II. Em breve, a comunicação do Sindscope divulgará detalhes destes debates.
Negociações
A paralisação que busca pressionar o governo Lula a estabelecer negociações que permitam avanços reais em torno das reivindicações apresentadas pelo funcionalismo ocorre em meio à ausência de qualquer sinalização do governo Lula no sentido de ceder nas negociações.
Até o momento, o governo não acatou nenhuma das reivindicações para a data-base de 2024: recomposição salarial, outras de impacto financeiro, como reajuste dos benefícios, e mesmo as sem reflexos no orçamento. É o caso da revogação das medidas infralegais dos governos de Bolsonaro e Temer que atingem negativamente os servidores e os serviços públicos.
A avaliação consensual nas plenárias e mesmo na assembleia foi a de que não haverá avanços nas negociações salariais e em torno das carreiras sem que se construa uma forte e participativa mobilização.
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