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Ato no CPII: ‘É preciso estar alerta contra os cortes que ainda ameaçam o CPII e demais instituições’

Manifestação interna no Complexo de São Cristóvão buscou alertar a comunidade escolar para as ameaças orçamentárias que permanecem após 4 anos de cortes e ataques à Educação 

IMPRENSA SINDSCOPE

Um alerta para a gravidade dos cortes que asfixiam o orçamento das instituições federais de ensino e para a necessidade de estar atento, mesmo no período de recesso e férias, para defender a escola caso os bloqueios orçamentários persistam.

Assim foi o ato interno realizado pelo Sindscope no dia 21 de dezembro de 2022, no Complexo de São Cristóvão, que reuniu servidores e responsáveis. Houve panfletagem e algumas falas no pátio. A equipe de comunicação do Sindscope também fez uma cobertura ao vivo, pela página do Facebook da entidade, que pode ser acessada aqui: https://fb.watch/hJac3BFn9N/.

Mãe de estudante do nono ano e conselheira suplente no Conselho Superior (Consup), Elina participou da atividade porque acredita que a situação é grave e é preciso mostrar os impactos e as consequências da manutenção dos cortes e dos riscos da normalização desse rebaixamento orçamentário. “Muitos não sabem que isto pode impactar na merenda, nas bolsas de estudos dos nossos filhos, nesta instituição. Queremos mostrar para os responsáveis o quanto isto pode afetar de forma prejudicial”, disse Elina Monteiro, à reportagem, enquanto distribuía a carta à comunidade escolar na entrada do colégio.

Também suplente do Consup e responsável por um aluno, do campus Tijuca I, Pedro Poppe afirmou que os cortes não podem ser “naturalizados” e que é preciso que se tenha consciência do que está acontecendo e da importância de uma maior participação. “Estes desafios são imensos para nossa instituição no ano de 2023 também… a naturalização que está existindo, por parte de alguns gestores dentro do colégio, de que estes cortes são fatos consumados, nós não aceitamos”, disse.

Defesa da educação pública

O diretor do Sindscope Sandro Justo participou do ato e disse à reportagem, logo após a distribuição da carta a quem chegava ao campus, que, não se conseguindo reverter os cortes, o funcionamento das escolas e institutos federais ficará realmente ameaçado. 

O dirigente do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II observou, ainda, que derrotar a extrema-direita e o bolsonarismo nas eleições foi muito importante, mas isso não assegura por si só que haverá garantia de recomposição orçamentária. Tampouco afasta, alertou, a feroz disputa em torno das verbas públicas da Educação. “Os grandes barões da educação privada não vão querer que estes cortes sejam revertidos”, disse, numa referência tanto aos atuais bloqueios orçamentários quanto ao futuro das políticas educacionais do país. “Que a verba pública seja para educação pública e não para educação privada”, defendeu.

Reunião com a Reitoria

Diretor do Sindscope, Albano Teixeira, que buscou resumir a situação orçamentária, disse que o tema foi tratado numa reunião com a Reitoria do CPII. Disse que se conseguiu a liberação das verbas referentes à assistência estudantil, o que ocorreu inclusive após o início da mobilização dos estudantes, porém outros recursos destinados ao custeio seguiam bloqueados. 

“A não se reverter estes cortes ainda no mês de dezembro, podemos ter um apagão  efetivamente das instituições federais em janeiro. Porque se você não tem verba para pagar internet, gás, água, luz, como é que os prédios vão funcionar? Os estudantes e os servidores vão para o período de férias, mas a instituição precisa continuar a funcionar”, alertou. 

Assinalou, ainda, que os cortes paralisam obras. “Há obras fundamentais, como a subestação de energia aqui do Complexo São Cristóvão, que estava licitada e que foi suspensa porque este valor foi retirado”, mencionou, lembrando também da situação do campus Realengo II, que necessita de obras emergenciais.

O dirigente sindical destacou que, na reunião com a reitora do colégio, professora Ana Paula Giraux Leitão, foi informado que os salários dos trabalhadores terceirizados estavam em dia, porém não havia garantias quanto à liberação pelo governo das verbas restantes para o pagamento dos contratos com as empresas da terceirização.

Albano, neste ponto, ressaltou que os trabalhadores terceirizados podem e devem também cumprir um papel importante nesta luta. “É o setor que primeiro sofre os ataques e atuam em setores essenciais para o funcionamento da escola”, disse. “É necessário estarmos em alerta para cobrarmos estes recursos. É o risco de um colapso, um apagão e temos que continuar cobrando no apagar da escuridão deste governo e mesmo no início do próximo”, defendeu.

IMPRENSA SINDSCOPE
Por Hélcio Lourenço Filho

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