Protesto em Niterói ocorreu após professor negro da rede estadual denunciar que foi desrespeitado e tratado como suspeito enquanto fazia compras na loja. GT de Negras e Negros do Sindscope apoiou e participou da manifestação.
IMPRENSA SINDSCOPE
Nenhum ato racista será tolerado. Foi com essa determinação que coletivos dos movimentos negro, sociais, feministas, entidades sindicais, organizações políticas e mandatos parlamentares levaram a luta antirracial para as dependências do Plaza Shopinng e a porta da loja C&A, na noite do dia 10 de novembro de 2023, sexta-feira.
A manifestação também teve o apoio político e de divulgação do Sindscope, o Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II, com o Grupo de Trabalho de Negras e Negros da entidade sendo representado no protesto.
“A estrutura racista do shopping foi sacudida. Não éramos muito, mas havia muita determinação e o incômodo foi grande pro pessoal presente nos corredores, lojas e praça de alimentação”, relata o servidor docente aposentado Roberto Adão, que integra o GR de Negras e Negros do Sindscope e participou da atividade. “É uma luta que vai continuar”, disse. A servidora do CPII Anna Luiza Moura também participou da atividade.
O protesto contra o racismo é uma resposta ao que ocorreu na sexta-feira anterior, dia 3 de novembro de 2023. Naquela data, o professor e sociólogo Ubaldino Raimundo Pereira, que participou da manifestação, foi insistentemente seguido por um segurança da loja, enquanto fazia compras.
Incomodado com a situação, o professor questionou ao segurança qual o motivo de estar sendo seguido. O funcionário da C&A respondeu, segundo relata carta de convocatória do ato, que estava seguindo orientações de procedimento e que ele se enquadrava no perfil de suspeito.
“É por recebermos rótulos racistas como estes, manifestação de nossa desumanização, estamos no país em que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos, na grande maioria das vezes pelo poder armado e militarizado do Estado brasileiro e lideramos o ranking mundial de feminicídio, cujas principais vítimas são mulheres negras”, diz trecho da carta assinada pelas entidades e entregue à C&A.
Medidas e retratação
Uma comissão de manifestantes foi recebida por representantes da loja – a gerente, o chefe de segurança e o advogado. Entregaram a carta, que contém exigências, medidas antirracistas que cobram aplicação pelo Plaza e pela C&A.
“Fomos exigir justiça racial para o companheiro Ubaldino e todas as vítimas, justiça restaurativa e de responsabilização, retratação, formação antirracista para seguranças e lojistas, em todo o Plaza e admissão de 40% de funcionários negros em todos os setores!”, postou, nas redes sociais, o Coletivo Afrodivas, uma das entidades à frente da convocação da manifestação.
Também cobraram uma retratação pública da loja ali mesmo, durante o ato. Os representantes da C&A, porém, alegaram não possuir autonomia para falar em nome do conglomerado. “Mas entregamos a carta, assinada e apoiada pelos movimentos e coletivos negros, movimentos sociais, mandatos de luta, intelectuais e trabalhadores em geral! Fizemos manifestação em todo o shopping e fomos ao SAC entregar a carta para chegar aos gestores do Plaza Shopping”, divulgou a organização do protesto.
Apoios
A ação contra o racismo teve a presença de parlamentares: a vereadora Benny Briolly e os vereadores Professor Túlio e Paulo Eduardo Gomes, todos de NIterói, o deputado estadual Professor Josemar (Psol), assim como representantes do gabinete do deputado estadual Flavio Serafini (Psol-RJ) estiveram na manifestação apoiando o movimento.
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