Sindscope participará e convida a comunidade escolar para a reunião do Conselho Superior, no dia 16 de julho, às 14h, no campus Tijuca II, que encaminhará as propostas de reparação histórica em torno das violências e perseguições da ditadura.
IMPRENSA SINDSCOPE
Será uma reunião extraordinária do Conselho Superior do Colégio Pedro II com potencial para entrar para a história da instituição e para a qual toda a comunidade escolar está convidada a participar.
No dia 16 de julho de 2025, uma quarta-feira, às 14 horas, no Teatro Libâneo Guedes, no Campus Tijuca II. Nela, deverá ser dado um passo importante, no âmbito do Colégio Pedro II, em busca da reparação histórica da memória, verdade e justiça em torno do período da ditadura empresarial-militar imposta ao país por longos 21 transcorridos de 1964 a 1985.
Nesta reunião aberta e solene, as conselheiras e conselheiros devem aprovar uma série de medidas e propostas com base no trabalho de pesquisa de Iniciação Científica “Ditadura nunca mais: o Colégio Pedro II enquanto espaço de memória”. O estudo foi orientado pelo professor Diego de Barros Ramalho, do Departamento de Filosofia, e pela professora Maria Lia Gauterio Conde Pinto, do Departamento de Artes Visuais, e desenvolvido em conjunto por 17 estudantes das três séries do Ensino Médio.
O assunto já foi pautado e debatido na reunião do Consup ocorrida no dia 11 de junho último. Naquele dia foi aprovada uma moção de apoio à pesquisa e criado um Grupo de Trabalho para elaborar uma proposta de encaminhamento para as questões ali apresentadas.
O trabalho de iniciação científica observa que o objetivo maior é “reinserir o Colégio Pedro II no rol das instituições públicas de ensino que, sobretudo após os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, concluídos há dez anos, estabeleceram políticas mais efetivas, extensivas e inequívocas em defesa do imprescindível direito à Verdade, Memória e Justiça”.
Propõe uma série de iniciativas, entre elas:
🔸 Diplomações tardias, ou mesmo póstumas, de estudantes vitimas do terrorismo de Estado;
🔸 Reconhecimento de servidoras e servidores que sofreram retaliações porque se opuseram à máquina golpista;
🔸 Inauguração de monumentos, memoriais ou espaços análogos em homenagem a quem resistiu ao aparato repressivo;
🔸 Revogação de honrarias e títulos concedidos a membros da cúpula do regime de exceção decretado pelas Forças Armadas;
🔸 Instauração formal de Comissões da Verdade internas a suas respectivas comunidades;
🔸 Elaboração de materiais e realização de atividades sistemáticas a fim de instruir a sociedade acerca dos crimes hediondos cometidos pelos militares.
O Sindscope já se manifestou, por meio de moção, em apoio à pesquisa desenvolvida e às propostas apresentadas. “Este sindicato acredita que só é possível enfrentar as ameaças atuais à democracia mantendo a memória sobre os graves crimes cometidos pelo regime de exceção instaurado no Brasil em 1964 e homenageando aqueles que contra ele lutaram”, diz trecho do documento.
Moção do Sindscope de apoio às propostas de memória e reparação da verdade – clicar aqui
A direção do Sindscope também esteve representada na reunião do Consup que aprovou a realização da sessão solene prevista para o dia 16 de julho. “A Comissão da Verdade vai ser essencial para apurar os crimes que foram cometidos aqui dentro do Colégio Pedro II durante essa época”, disse David Coelho, da Coordenação-Geral do Sindscope, ao falar durante a atividade. Ele também destacou a importância de que seja assegurada no Colégio Pedro II uma estrutura capaz de resgatar e preservar essa memória, “de uma instituição que já possui 200 anos” de história.
Acessar documento em pdf com as propostas defendidas a partir do estudo ‘Ditadura Nunca Mais: o Colégio Pedro II enquanto espaço de memória” – clicar aqui
Ao longo da reunião, representantes de estudantes, técnicos e técnicas e de docentes no Consup parabenizaram o trabalho apresentado e defenderam que a instituição e a comunidade escolar abracem as propostas levantadas.
O servidor docente Leandro Martins, que integra a Coordenação-Geral do Sindscope, disse que era um “privilégio estar como conselheiro” naquele momento. Disse que o projeto é uma trincheira na luta contra o arbítrio e que precisa ir adiante porque as ameaças às liberdades democráticas “não estão soterradas”.
“Impossível não se emocionar”, disse a servidora docente Flávia Carvalho, mencionando que sua família fora vítima direta da violenta perseguição da ditadura. “Agradeço muito ao trabalho de todos vocês”, disse.
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