Cinco anos após o crime, atos por justiça para Marielle e Anderson são indissociáveis da luta por um mundo sem preconceitos e com direitos sociais. No Rio, principal manifestação será o festival por justiça na Praça Mauá, a partir das 18 horas; Sindscope participa e apoia esta luta
IMPRENSA SINDSCOPE
Faz cinco anos. Noite de 14 de março de 2018, uma quarta-feira. Estácio, bairro da área central da cidade limítrofe com a Tijuca e o início da Zona Norte do Rio de Janeiro. Faltava pouco para as 22 horas quando quatro tiros disparados de uma arma de fogo 9mm atingiram a cabeça da vereadora do Psol Marielle Franco; outros três, as costas do motorista Anderson Gomes, que cobria as férias de um colega e conduzia a parlamentar e uma assessora dela às suas residências. Marielle e Anderson morreram na hora – jamais retornaram às suas casas, onde Mônica e Agatha, respectivas companheiras, os aguardavam.
É para este crime que as manifestações previstas para esta terça-feira, 14 de março de 2023, vão pedir justiça. Cinco anos passados e ninguém foi levado a julgamento e não se sabe quem mandou matar Marielle e, na execução do ato, eliminou também a vida de Anderson Gomes.
Estão presos preventivamente, desde 2019, dois acusados de executar os assassinatos: o sargento reformado e expulso da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Queiroz – ambos apontados também como integrantes de organizações criminosas milicianas.
A brutalidade do crime impactou imediatamente o país, com tiros disparados de outro carro parelhado a menos de dois metros de distância, contra pessoas que sequer tiveram tempo de saber o que estava acontecendo.
O que não se sabia ainda, naquela noite, é que os tiros miravam para além dos corpos de Marielle e Anderson: representavam, depois se soube, um atentado de ódio contra tudo o que a militante social e vereadora negra, que nasceu e cresceu na favela da Maré, defendia: o direito a ser diferente, os direitos das minorias, os direitos sociais, as liberdades democráticas e um mundo sem preconceitos e injustiças.
Pouco depois de sua morte, circularam pelas redes sociais ‘notícias’ falsas que tentavam criminalizar Marielle. Alguns meses depois, um candidato a deputado e outro a governador, que acabariam eleitos, rasgaram uma placa com seu nome para tentar atrair votos carregados de preconceito, racismo e lgbtfobia.
Na contraposição a isso, movimentos sociais, sindicais e progressistas não só seguiram cobrando justiça para Marielle e Anderson, como fizeram da militante de esquerda semente e símbolo da luta por justiça. Ainda em 2018, o Sindscope deu ao auditório de sua sede o nome de Marielle e Anderson, numa cerimônia que contou com a presença de Anielle, irmã da vereadora, e Agatha, viúva do motorista.
Tudo o que transcorreu neste período fez com que, cinco anos depois, o pedido de justiça para Marielle, que ecoará em todas as regiões do país e em várias partes do mundo nesta terça-feira (14), seja indissociável da defesa de todas estas pautas sociais: do respeito às minorias, aos setores mais marginalizados e pobres da sociedade. Do direito universal de viver com dignidade, sonhar e ser feliz, sendo o que se deseja ser e nascendo onde quer que se tenha nascido.
Festival por justiça
O Sindscope faz parte desta luta por justiça e apoia e divulga as iniciativas deste movimento. Nesta terça (14), a principal manifestação no Rio será o Festival Justiça para Marielle e Anderson, entre 18 e 23 horas. A atividade reunirá artistas e familiares dos dois e de vítimas da violência.
Entre as apresentações musicais previstas, estão Djonga, Luedji Luna, Marcelo D2, Azula, Bia Ferreira, DJ Tamy, Bateria da Mangueira, Marina Íris, Baile Black Bom, Deize Tigrona, Nenhum a Menos, Shury + Abronca, Criolo, Coral Talentos do Morro e Orquestra Maré do Amanhã. O Festival é organizado pelo Instituto Marielle Franco.
Imagem: reprodução Instituto Marielle Franco
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