O segundo dia (23/03) do Encontro de Negras, Negros, Indígenas e Quilombolas do Sinasefe (ENNIQ) foi dedicado às mesas temáticas. Foram realizadas cinco conferências com palestrantes de todo o Brasil que debateram as seguintes temáticas: aquilombamento e aldeamento; arte como resistência; 10 anos de cotas raciais; e racismo religioso. Esta edição do encontro, que tem como tema “Malungas, Malungos e Parentes na terra de Palmares! Nossa luta, nosso sindicato!”, está sendo realizado em Maceió-AL.
O tema da primeira mesa do dia foi “Aquilombar-se e aldear-se é preciso: em defesa das identidades e territorialidades no Brasil”. Os palestrantes convidados – Camila Dorneles, Elionice Conceição Sacramento, Givanildo Manoel e Leonardo Péricles – falaram a partir de suas vivências nos territórios nos quais habitam e organizam a luta por direitos.
O primeiro convidado, Leonardo Pericles (presidente nacional da Unidade Popular, integrante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), lembrou que é fundamental restituir a verdade no que se refere à História do Brasil, inclusive nas escolas brasileiras. E citou como exemplo a narrativa sobre os bandeirantes: “Nós temos que acertar contas. Enquanto as nossas escolas continuarem falando que bandeirantes foram heróis… Bandeirantes foram facínoras, assassinos, estupradores de indígenas e de negros, ladrões de terras, mercenários e isso precisa ser contado.” Para ele, é fundamental narrar quem na realidade são essas figuras históricas, a quem serviram e, assim, o porquê de o Brasil ser um país tão desigual.
O palestrante fez um chamado para que negros e indígenas estejam à frente das questões institucionais relativas à justiça de transição, de direito à memória, verdade e reparação histórica do que sofreram durante a ditadura civil-militar de 1964, mas não só neste lamentável e recente episódio da nossa história, pois são esses grupos, historicamente, as maiores vítimas do Estado Brasileiro.
A programação, que se estende até domingo (26), inclui visitas ao Quilombo de Palmares e a uma Aldeia Indígena, além da organização de grupos temáticos de discussão e encaminhamentos, e apresentações político-culturais.
