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No mês da Consciência Negra, Sindscope reafirma luta pelo fim da necropolítica e em defesa dos serviços públicos 

Nota do Sindscope:

No Dia da Consciência Negra, o Sindscope reafirma o seu compromisso com um antirracismo radical e uma postura anticapitalista. 

A data de 20 de novembro não é apenas um marco de resistência, mas um chamado à luta contra a estrutura racista que sustenta a sociedade e o Estado brasileiro

Denunciamos a necropolítica que, sob o comando do governador Cláudio Castro, resultou no assassinato de mais de 100 pessoas nos complexos da Penha e do Alemão em 28 de outubro. 

Essa política de massacre, que não é nova, causou mais de 22 mil mortos em operações policiais desde 2007, sendo 83% dessas vítimas, negras, expondo como o Estado capitalista trata a população negra como descartável. Essa violência não é exceção: é a regra de um sistema que segrega, explora e extermina a população negra e periférica.

Essa lógica mortal articula-se com a precarização do trabalho, que atinge especialmente a população preta e parda. Esse grupo é o que mais sofre com os ataques aos direitos trabalhistas, representando 46% dos trabalhadores informais e recebendo salários 40% menores que os de trabalhadores brancos. 

No serviço público, a ofensiva neoliberal da reforma Administrativa e a precarização selvagem aprofundam essa desigualdade, atacando diretamente uma das poucas esferas de relativa estabilidade e dignidade conquistadas pela classe trabalhadora, que é majoritariamente negra. A ofensiva atinge também os principais usuários do serviço público, a classe trabalhadora mais pobre, ou seja, a população negra.

Essa exclusão é ainda mais perversa quando observada pelo viés racial e de gênero. As mulheres negras, por exemplo, são maioria entre os servidores, mas estão entre os grupos menos remunerados. Elas estão frequentemente alocadas em carreiras de cuidado e têm o menor acesso a posições de comando, ocupando apenas 1,3% dos cargos de chefia

Além disso, mulheres e meninas negras enfrentam desafios históricos e contínuos para acessar a educação, o que resulta em menores taxas de escolaridade e maior evasão em comparação com outros grupos.

Os dados do Colégio Pedro II revelam outra faceta dessa disparidade: enquanto 45,7% dos discentes e 41,5% dos técnicos-administrativos se autodeclaram pretos ou pardos, apenas 32,6% do corpo docente são negros

Essa sub-representatividade nos cargos de maior estabilidade e valorização revela como o racismo estrutural opera mesmo dentro de uma instituição pública federal. 

A luta por cotas raciais efetivas e por políticas de permanência não é acessória: é central para transformar o Colégio Pedro II em um espelho real da sociedade brasileira.

Diante deste cenário, nosso sindicato reafirma: a luta antirracista é inseparável da luta de classes. Enquanto o capitalismo utilizar o racismo como mecanismo de super exploração e divisão da classe trabalhadora, nossa resistência deve ser intransigente. 

Defender o serviço público é combater a necropolítica e garantir que a juventude e os trabalhadores negros tenham acesso à educação, saúde, cultura e lazer. É, em sua essência, construir um projeto de sociedade onde a vida tenha valor, e não o lucro.

“O antirracismo não fragmenta a luta de classes. Ele a radicaliza”
(Arun Kundnani)

Sindscope – Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II

 

 

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