É com profunda indignação e estarrecimento que nós da Diretoria do Sindicato de Servidoras e Servidores do Colégio Pedro II recebemos a proposição de Calendário Escolar feita pela Reitoria e apresentada em Conepe no último dia 9 de março de 2023.
Em que pese o reconhecimento de todas as mazelas geradas por um calendário que destoa tanto do ano civil. Que gera um conjunto de inconvenientes para toda comunidade escolar, prejudicando os processos de ingresso e saída de estudantes da instituição, problemas de ordem burocrática etc. Não é demais lembrar que esse problema foi agravado em decorrência de uma ação arbitrária da Reitoria junto da Arcope.
A ação que levou ao adiamento do ano letivo de 2022 e agravou o problema que agora vivemos é fruto de uma ação absolutamente intempestiva e despropositada da Reitoria. De forma desarrazoada e arbitrária, numa lógica punitiva para com o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras da instituição, a Reitoria propôs a extensão do calendário para o absurdo de reposição de pontos facultativos e jogos do Brasil na Copa do Mundo.
É absolutamente inaceitável que se crie um problema tão grave e depois se venda como solução um calendário inaceitável e descabido como o que fora proposto pela Reitoria, com anuência de parcela expressiva das direções gerais dos campi.
Vamos aos problemas:
1 – Considerar a EAD como alternativa para contabilização de carga horária em um momento histórico de normalidade em relação a questões sanitárias, é abrir um precedente perigosíssimo para toda sorte de intensificação do trabalho e privatização interna.
Sobretudo quando temos uma Reforma do Ensino Médio que busca, dentre outras coisas, induzir processos de privatização e desescolarização da educação pública, mediante subtração de atividades presenciais em prol da EAD.
Por exemplo, diante do exposto, se aceitarmos esse calendário, quem nos garante que, em caso de ausência de professoras, em vez de se lutar por concurso, não se utilize a EAD ou outras “atividades remotas” como forma de suprir esta “carência”?
Além disso, invariavelmente, a adoção da EAD aos sábados, tal como proposto, desde os anos iniciais do fundamental até o ensino médio, extrapolando a carga horária docente, redundará em sobrecarga de trabalho, concorrendo para agravar o quadro já extremamente preocupante de adoecimento e esgotamento das nossas energias.
Igualmente, lançar mão da EAD para mascarar um quadro de déficit estrutural, ausência de trabalhadores e trabalhadoras, somente resultará em um ciclo vicioso de redução de investimentos, tornando “desnecessária” a alocação de mais recursos no nosso Colégio, já que suas atividades não demandam tais recursos.
Por fim, devemos ressaltar que a substituição da aula presencial por atividades à distância gera ENORMES prejuízos às famílias e estudantes. Entre elas, perda de espaço de socialização, perda de qualidade do processo pedagógico mediante ausência de vínculo com o corpo docente e sobrecarga de atividades para serem feitas. Além da exigência de recursos tecnológicos que ainda não são acessíveis para a grossa camada da classe trabalhadora e da ampliação da cobrança de familiares na função de mediação do trabalho escolar para supervisionar crianças e jovens nas atividades remotas – para não falar de Estudantes com Necessidades Específicas, cujos quadros de dificuldades serão ainda mais agudos e suas perdas majoradas.
2 – O custo humano de atividades todos os sábados é deveras cruel para todas as pessoas, mas para os anos iniciais é ainda pior. A utilização dos demais sábados, cerca de 17, intensifica um problema já muito grave de ausência de trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo estas, maior parte na docência dos campi I.
Essas trabalhadoras docentes já possuem sua carga horária completa ao longo da semana terão, deste modo, 17 dias de sobretrabalho, carregando um fardo ainda mais pesado nessa tentativa desmedida de acerto do Calendário.
Acertar o calendário é muito importante, mas a saúde e a qualidade de vida de nossas trabalhadoras e trabalhadores é ainda mais, assim como a qualidade de vida de crianças, jovens e suas famílias também o é.
Ademais, diante da já notória ausência de trabalhadoras e trabalhadores dos setores de disciplina, organização pedagógica, Napne, também iremos aumentar a sobrecarga de trabalho desta parcela absolutamente indispensável para o funcionamento da nossa escola e atendimento de estudantes e suas famílias. Logo, a solução será sobrecarregar até adoecer este conjunto de trabalhadoras também?
Não tem como dar certo! Acertar o calendário é importante? Sim! Mas a que custo? Às custas de quem?
Não podemos aceitar essa proposta e convocamos o conjunto de trabalhadoras e trabalhadores da instituição para debatermos juntas/os na Assembleia do dia 15/03, quarta-feira, às 18h30min, no Sindscope, qual calendário queremos!
Rio de Janeiro, 15 de março de 2023
Diretoria do Sindscope
(Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II)
