Servidoras e servidores do Colégio Pedro II, reunidos em assembleia, aprovaram apoio político e solidário a trabalhadores terceirizados que estão com salários e benefícios atrasados há mais de dois meses. A situação reflete a precarização cada vez maior das relações de trabalho.
IMPRENSA SINDSCOPE
Solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A assembleia geral dos servidores e servidoras do Colégio Pedro II, realizada pelo Sindscope, aprovou por consenso declarar apoio solidário à luta deste setor da classe trabalhadora pela regularização de suas situações funcionais.
O caso envolve o pagamento de salários e benefícios (alimentação, transporte) atrasados, além dos depósitos referentes à Previdência Social e ao FGTS. O pedido de divulgação da situação inaceitável que tais trabalhadores estão sendo submetidos foi apresentado pelo servidor docente Alexandre Samis, durante o momento dedicado a informes A solicitação foi acatada consensualmente pela assembleia, que ocorreu no dia 11 de fevereiro de 2026.
“Há mais de dois meses eles não recebem absolutamente nada. Somos um sindicato classista e proponho que a gente faça a reverberação dessa campanha do Grupo Invisíveis, que infelizmente recebe muito pouco apoio”, disse Samis, referindo-se ao coletivo Invisíveis, que vem colaborando com as lutas das categorias terceirizadas.
Para acessar o perfil dos Invisíveis no Instagram, clicar aqui
Assembleia ratificou indicativo de greve e propôs paralisação nacional de 24h no dia 3 de março – ler aqui
Nota da Reitoria
A Reitoria da Uerj divulgou nota informando que se reuniu com representantes da empresa de vigilância Conquista, uma das que mantém salários e benefícios de 1007 trabalhadores e trabalhadoras atrasados. Participaram ainda dirigentes do Sindicato dos Vigilantes.
O comunicado diz que na reunião, ocorrida em 10 de fevereiro, a empresa foi questionada sobre o não pagamento dos salários de dezembro de 2025 e de janeiro de 2026. O calote se deu mesmo com a universidade tendo repassado os valores contratuais à contratada no dia 3 de fevereiro.
A Reitoria informa ainda pretender buscar uma conciliação tripartite, que envolva a Uerj, a Conquista e o Sindicato dos Vigilantes. Nada de efetivo em relação aos pagamentos, porém, saiu da reunião.
Segundo vídeo divulgado pelo sindicato, foi acordado que a universidade não fará mais repasses à empresa até que os contratos de trabalho estejam regularizados.
Esse é, aliás, um dos pontos centrais da campanha que a rede Invisíveis vem fazendo em apoio aos terceirizados: cobrando da Reitoria o pagamento dos salários, benefícios e demais verbas diretamente nas contas dos trabalhadores e trabalhadoras, já que a legislação hoje permite esse procedimento.
A empresa, no entanto, poucos dias depois da reunião, além de não depositar os atrasados, teria passado a ameaçar de demissão quem faltasse ao trabalho. O Sindicato dos Vigilantes, então, decidiu convocar a categoria a comparecer à sede da Conquista coletivamente nos dias 3 e 4 de março para cobrar da empresa o pagamento do que é devido.
Precarização
O caso expõe a precariedade das condições laborais de profissionais terceirizados. E isso não se resume ao atraso de salários e demais obrigações patronais. Isto porque por trás dessa expropriação dos trabalhadores pode estar a perda do contrato com a universidade pela Conquista já a partir de março, quando outra empresa assumirá o serviço.
A Diretoria do Sindscope reitera o apoio político e solidário aos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas. Assim como mais uma vez lamenta que o modelo de relação laboral terceirizada siga sendo usado e expandido sob o marco da precarização, exploração e desrespeito aos direitos trabalhistas, além da evidente privatização fatiada de serviços públicos.
IMPRENSA SINDSCOPE
