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Sindscope terá prática de Ving Tsun (Kung Fu) para aposentados e aposentadas no dia 16 de julho

Atividade, pela manhã, será aberta também a sindicalizados da ativa; Ving Tsun trabalha o corpo respeitando o que cada um tem e é acessível a todos, afirma Mestre Guilherme Farias em entrevista à reportagem do Sindscope.

IMPRENSA SINDSCOPE 

O Sindscope convida, por meio do seu Núcleo de Aposentados e Aposentadas, para a primeira prática de Ving Tsun (Kung Fu), com o Mestre Guilherme Farias.

Será na próxima quarta-feira, dia 16 de julho de 2025, a partir das 9h30min da manhã, na sede do Sindicato, no Complexo São Cristóvão do Colégio Pedro II. 

Esse estilo de arte marcial chinesa foi apresentado à categoria numa oficina, com Mestre Guilherme, no Encontro de Aposentados e Aposentadas ocorrido no dia 24 de junho último.

A atividade integra a programação do Núcleo de Aposentados e Aposentadas, mas será aberta também a quem é da ativa. Basta ser filiado ao Sindscope, o sindicato que representa e reúne servidores e servidoras, técnicas e docentes, no Colégio Pedro II. Basta aparecer e participar.

O que é o Ving Tsun, um estilo do Kung Fu

Hoje com 35 anos, Guilherme Farias integra o Instituto Júlio Camacho e pratica o Ving Tsun desde os 17. Há oito anos atua profissionalmente na área. Na apresentação no Sindscope, ele foi acompanhado de um assistente, o jovem Daniel Araújo, um ‘irmão Kung Fu’. Ao final da atividade, a reportagem do Sindscope conversou com Mestre Guilherme:  

Sindscope: O que você achou da apresentação aqui no Sindscope e como esta arte marcial, o Ving Tsun [Kung Fu], se difere de outras?
Mestre Guilherme Farias: Foi um prazer muito grande participar e acho que foi muito boa a apresentação, com as pessoas bastante atentas e animadas. A gente começou falando o que muitas vezes acontece de colocar o aposentado e a aposentada quase numa condição de invalidez, sem condições de fazer qualquer coisa. A nossa proposta, e acho que foi bem sucedida nisso, foi mostrar que eles podem fazer atividade física e o Ving Tsun certamente é a arte que se encaixa nesse processo.

Sindscope: Por que você acha que essa seria a arte marcial melhor indicada?
Mestre Guilherme Farias: Sim, eu acho que sim. Porque você trabalha com as condições que você tem. O desenvolvimento físico, a Educação Física em geral, trata de você criar situações, ter mais músculos, ter mais massa muscular, o que for. No nosso caso, não. A gente não quer que a pessoa tenha mais. A gente quer que ela use melhor o que ela tem. Então não faz diferença se você tem dois braços ou um braço só. Você vai usar o seu corpo de acordo com a sua necessidade. E o Ving Tsun é a arte que lhe dá essa condição. Ela é voltada para a pessoa, não para qualquer outro objetivo do que não o desenvolvimento do ser humano de acordo com a necessidade dele no momento.

Sindscope: Em termos filosóficos e teóricos, o que você destacaria nesta arte marcial? 
Mestre Guilherme Farias: O desenvolvimento humano né. Porque qual é que é a proposta. Porque quando você fala de desenvolvimento humano eu gosto dessa perspectiva na palavra desenvolver, isto é, tirar o envolvimento, por isso ‘des’ ‘envolver’. A sociedade, acredito, tem um discurso muito forte no sentido de que você precisa ter mais, dar mais, ou qualquer coisa nesse sentido. Esse é o envolvimento social que nós temos hoje. E aí o Ving Tsun vem justamente para desenvolver essa característica. Por que às vezes a pessoa não dá não é porque ela não queira, é porque ela não tem condições no momento de dar mais. E aí, não tem problema. Porque o que você tem já é bom o suficiente. O que a gente vai trabalhar? Fortalecer e potencializar o que você já tem. Como? Usando o seu corpo de uma forma mais estratégica, se respeitando, entendendo seus limites, e aí sim desenvolvendo a experiência marcial.

Sindscope: A gente estava conversando agora há pouco e estávamos falando de filmes, tem algum que você apontaria para quem quer conhecer mais dessa arte?
Mestre Guilherme Farias: Sim, vários. Nós citamos esse filme né, O Grande Mestre, que conta a história de Yip Man, que é justamente a pessoa que faz parte da nossa linhagem. É um filme bonito e que mostra como o Ving Tsun pode fazer arte da vida das pessoas. Por quê? Porque o Ip Man era uma pessoa que tinha uma condição financeira grande, era de uma família muito rica. E quando ele começou a praticar arte marcial, aos 12 anos, foi porque ele quis. E era uma perspectiva dele, ele nunca pensou em trabalhar com o Ving Tsun. E quando se cria toda aquela situação, que fala-se no filme, da questão da guerra, e ele teve que trabalhar com o Kung Fu, a gente vê que a experiência marcial ela trata de te preparar para aquilo que você nem sabe que vai vir. Ele não queria trabalhar com aquilo, só que ele sabia. E teve uma situação na vida dele em que ele falou: agora ou eu faço alguma coisa ou morro de fome. E aí ele usou o que tinha de melhor. E esse sim é o papel do Kung Fu, é você usar o recurso que você tem de melhor no momento. É para isso que serve. 

[O filme “O Grande Mestre”, de 2008, pode ser acessado na Netflix. O longa é dirigido por Wilson Yip, com roteiro de Edmond Wong, e dura 108 minutos. Yip Man teve como seu mais notório discípulo o ator e roteirista Bruce Lee]

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