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Um singelo texto para Rejane

A dor que sinto ao escrever estas linhas não cabe em mim. Lembro com inevitável saudade quando, uma década e pouco atrás, fui apresentado a ela. Não a conhecia. Não sabia do seu trabalho, que em pouquíssimo tempo percebi ser de qualidade técnica e capacidade política extraordinária.

Entrei para o sindicato com a equivocada e vaga informação de que o sindicato estava sem jornalista. Poucos dias me fizeram ver que o sindicato possuía uma das mais talentosas e impactantes profissionais com as quais já trabalhei. 

Apenas ainda não era formada em jornalismo, detalhe que em pouquíssimo tempo superou e foi muito além, adentrando com propriedade e enorme contribuição a academia pouco afeita a mulheres pretas.

Sim, o nosso respeito era mútuo. Perco a conta de quantas e quantas vezes ela engrandeceu em palavras o meu trabalho e me fez, vaidoso, achar ser eu também um grande jornalista. 

Rapidamente o respeito profissional avançou para a amizade. Nos tornamos, digo sem hesitar, grandes amigos. Fazíamos planos para nossa amizade. E eu acreditava, ingênuo, que isso duraria para sempre. Acreditava que sempre teríamos um ao outro como porto seguro de apoio da amizade de quem se ama e se fortalece.

Acabo de receber a notícia que não queria jamais receber. Já vinha percebendo, até em terrível sonho, o receio de que essa notícia pudesse chegar. Porém me recusava a acreditar nisso. 

Hoje a dor que sinto não cabe em mim. 

É difícil encontrar alegria e afastar esse sentimento doloroso. Mas impossível também não lembrar dela com o sorriso no rosto e a alegria sempre contagiante. Sempre confiante de que podemos sim fazer um grande trabalho, sempre acreditando na força dessa classe que chamamos de trabalhadora. 

Que da tristeza encontremos forças para seguir nessa luta, nessa nossa luta, nessa luta sindical e em busca de uma sociedade verdadeiramente justa. Algo que para mim se expressava em cada uma das muitas vezes em que nos reunimos para traçar as pautas e demandas do Sindicato.

Sim, o rosto dela estampava isso sempre. E sempre com um inesgotável otimismo, inesgotável alegria, inesgotável vontade de fazer e sonhar. 

De onde estou, vejo no horizonte o Sol a se pôr e a me dizer que estou errado, nesta ensolarada e quente segunda-feira de uma incipiente primavera. A dor, é verdade, extrapola nossa capacidade de entender e aceitar, mas a nossa amizade é sim para sempre.

Não há como desejar, querida, que você vá com toda paz do mundo que, estou certo, tanto merece. Pois sei que você vai com toda a sua energia – que transbordava tanto que suficiente é para inundar as lidas dessa nossa vida hostil e o lugar que agora está a lhe receber em festa e com você já causando alvoroço.

Itaipu, Niterói – 6 de dezembro de 2025
Por Hélcio Lourenço Filho – jornalista do Sindscope

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