Para que nunca mais aconteça: nos 61 anos do Golpe de 64, Sindscope reafirma luta contra impunidade de golpistas de ‘ontem e hoje’

Data terá ato convocado por dezenas de entidades civis no Rio de repúdio à ditadura e contra a anistia a golpistas: a partir das 15h desta terça (1), no antigo Dops, na rua da Relação; de lá, a manifestação caminhará até a ABI, onde haverá a entrega da Medalha Chico Mendes. Sindicato divulga moção pela memória e verdade durante o período ditatorial no Colégio Pedro II.  

IMPRENSA SINDSCOPE

Neste dia 1º  de abril de 2025 completam 61 anos do golpe empresarial-militar que instalou uma ditadura no país por 21 anos, de 1964 a 1985. 

Nesta data, a diretoria do Sindscope reafirma a posição do sindicato em defesa das liberdades democráticas, de repúdio aos regimes autoritários e pelo fim da impunidade de golpistas e torturadores do passado e do momento político atual.

Publica moção de apoio à pesquisa e ao projeto de memória sobre este período no Colégio Pedro II, desenvolvido pelo servidor docente Diego de Barros Ramalho, e se soma a dezenas de entidades da sociedade civil na divulgação das atividades que ocorrem nesta terça-feira no Rio de Janeiro para marcar a data.

“Este sindicato acredita que só é possível enfrentar as ameaças atuais à democracia mantendo a memória sobre os graves crimes cometidos pelo regime de exceção instaurado no Brasil em 1964 e homenageando aqueles aquelas que contra ele lutaram”, diz trecho da moção.

Entre as ameaças atuais, está a tentativa de golpe de estado da extrema direita em 8 de janeiro de 2023. Faz poucos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro e cinco militares de alta patente foram tornados réus no Supremo Tribunal Federal pela tentativa de golpe e outras acusações.

Verdade, Memória e Justiça

A moção defende que seja criada uma Comissão da Verdade, tal como já ocorre em muitas instituições de ensino. O objetivo é investigar os fatos ocorridos no CPII durante o período da ditadura e o papel das então direções nos processos de perseguição a estudantes, servidores e comunidade em geral. 

Também reivindica que o prédio da Reitoria, que já se chamou “Almirante Augusto Rademaker”, vice-presidente do país no período mais sangrento da ditadura, seja rebatizado com o nome de “Pavilhão Lincoln Bicalho Roque”, em homenagem ao ex-estudante do atual campus de São Cristóvão, morto sob tortura nas dependências do Doi-Codi.

Acessar documento em pdf com as propostas apresentadas a partir deste estudo – clicar aqui

Manifestação no Centro do Rio

‘Ditadura Nunca Mais: sem anistia para golpistas de ontem e de hoje’. Os 61 anos do golpe serão lembrados com essas bandeiras no ato público que ocorrerá no Rio de Janeiro nesta terça (1).

“Vamos às ruas cobrar a responsabilização daqueles que atentaram contra nossa democracia ontem e hoje”, diz trecho da convocação para a manifestação. A concentração para o ato começa às 15 horas, em frente à sede do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social).

Situado na esquina da Rua da Relação com Inválidos, na Lapa, o prédio abrigou na ditadura um centro de detenção e tortura. Os movimentos dos direitos humanos reivindicam que seja transformado em espaço de cultura e memória.

Medalha Chico Mendes 

Da sede do antigo Dops, a manifestação caminhará até a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), na rua Araújo Porto Alegre 71, próximo à Cinelândia. No auditório da ABI, ocorrerá a entrega da 37ª Medalha Chico Mendes de Resistência 2025, organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais-RJ.

A homenagem é prestada todos os anos a dez pessoas, em vida ou in memorian, e organizações civis pelo papel desempenhado na luta em defesa dos direitos humanos. A condecoração foi criada em 1989, ano seguinte ao assassinato do líder das lutas do campo Chico Mendes. Representava um contraponto às homenagens do Exército a conhecidos torturadores do período ditatorial. 

A lista de homenageados da 37ª Medalha Chico Mendes é a seguinte:

🔹Dr. Laerte Vaz (militante e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, Cremerj); 
🔹Ana Rosa Kucinski Silva (in memorian) – desaparecida pela ditadura;
🔹Joel Rufino dos Santos – escritor que também foi preso durante a ditadura e faleceu em 2015; 
🔹”Agenda Nacional pelo Desencarceramento”; 
🔹Luiz Paulo da Cruz Nunes (in memorian) – assassinado pela ditadura;
🔹Mãe Bernadete e Binho do Quilombo, quilombolas assassinados em 2023 e 2017, respectivamente, na Bahia;
🔹José Maria Galhasi – militante comunista histórico;
🔹Gláucia dos Santos – mãe de adolescente assassinado pelo Estado;
🔹Ana Rosa Kucinski Silva (in memorian)
🔹José Maria Galhasi – militante comunista histórico;
🔹”Luta pela Educação Indígena do Pará”;
🔹João Nogueira – cantor e compositor. 

IMPRENSA SINDSCOPE

Moção de apoio às propostas de memória e reparação da verdade apresentadas na pesquisa ‘Ditadura Nunca Mais: o Colégio Pedro II enquanto espaço de memória”

O Sindscope – Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II –, através de sua diretoria reunida no dia 21 de março de 2025, aprovou moção de apoio proposta pelo professor do departamento de filosofia Diego de Barros Ramalho.

A moção visa ratificar as propostas de reparação da verdade e de manutenção da memória em relação às perseguições sofridas pelos estudantes do Colégio Pedro II durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) e que são apresentadas nas conclusões do projeto “Ditadura Nunca Mais: O Colégio Pedro II enquanto espaço de memória”.

O Sindscope teve participação ativa quando da retirada do nome do Almirante Augusto Rademaker do pavilhão da atual reitoria do Colégio e agora reivindica que o prédio seja rebatizado com o nome de “Pavilhão Lincoln Bicalho Roque”, em homenagem ao ex-estudante do atual campus de São Cristóvão, morto sob tortura nas dependências do Doi-Codi.

Igualmente, o Sindscope reivindica a criação de uma Comissão da Verdade, tal como já ocorre em outras instituições de ensino ao redor do Brasil, para investigar os fatos ocorridos durante o período da ditadura no Colégio e o papel das então direções nos processos de perseguição a estudantes, servidores e comunidade em geral, bem como no papel daquelas direções na internalização dos mecanismos de exceção da ditadura.

Por fim, o Sindscope também reivindica as demais proposições apresentadas no relatório do referido projeto de pesquisa.

Este sindicato acredita que só é possível enfrentar as ameaças atuais à democracia mantendo a memória sobre os graves crimes cometidos pelo regime de exceção instaurado no Brasil em 1964 e homenageando aqueles que contra ele lutaram.

Rio de Janeiro, 1o de abril de 2025.

Diretoria do Sindscope 
(Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II)

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