Sindscope participou do primeiro ato conjunto no Centro do Rio em solidariedade à Venezuela após a “criminosa agressão dos EUA” em Caracas. Protesto denunciou Trump como um terrorista que tenta ser o ‘dono do mundo’, alertou não haver como se omitir diante das graves ameaças que pairam sobre toda América Latina e afirmou que o discurso de combate às drogas é uma fraude: razões são o petróleo e o controle geopolítico.
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Não é só sobre a Venezuela, é também sobre a Venezuela. Faixas, cartazes e discursos que fizeram a primeira manifestação pública de rua no Rio de Janeiro contra a agressão militar dos Estados Unidos ao país vizinho, ao final da tarde e início da noite da segunda-feira (5), expressaram acentuadamente essa compreensão do momento político: o violento ataque à Venezuela é também ao conjuntos dos países e ao povo da América Latina.
Essa preocupação alterou a rotina e moveu quase duas mil pessoas à manifestação iniciada na Cinelândia, no dia 5 de janeiro de 2026, no Centro do Rio, de onde partiu em passeata até o Consulado dos Estados Unidos – a quase 500 metros dali. “É um ataque a toda América Latina. Trump já ameaçou a Colômbia e outros países que possam se colocar contra os interesses deles”, disse o servidor do Colégio Pedro II David Coelho, da Coordenação-Geral do Sindscope.
“É necessário que todos nós estejamos nas ruas para lutar contra essa ameaça à nossa soberania e integridade territorial do continente. É preciso ainda cobrar do governo Lula uma ação incisiva e concreta contra essa ameaça imperialista do governo Trump”, defendeu, ao gravar vídeo para o sindicato, ao final do ato e ao lado do servidor Leandro Martins, também da Coordenação-Geral.
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Convocado por dezenas de organizações sindicais e sociais, entre elas o Sindscope, além de partidos e parlamentares da esquerda, o ato expressou repúdio à ofensiva militar do governo dos Estados Unidos sobre a Venezuela, país que faz fronteira ao longo de 2,2 mil quilômetros com o Brasil, nos estados de Roraima e Amazonas.
Ao longo da manifestação foi possível observar o cuidado em combater discursos que tentam naturalizar o que ocorreu na madrugada de sábado (3). Sequestro, esse foi o nome escolhido para descrever o que as forças militares dos EUA fizeram com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, levado à força, com sua esposa, para um navio estadunidense e agora encarcerado com ela em Nova Iorque.
O presidente dos Estados Unidos foi definido como um “terrorista” que acredita ser o dono do mundo. Não foi pela democracia ou pelo combate a drogas, afirmavam cartazes expostos no ato: “Trump derrama sangue venezuelano por petróleo”. Outra ação violenta patrocinada pelos Estados Unidos foi lembrada em vários momentos do ato: os bombardeios e bloqueios sobre a Faixa de Gaza. “Fora Trump da América Latina e Fora Israel da Palestina”, cantou a manifestação.
Ato conjunto firma posição
Ao reunir diversas concepções políticas da esquerda brasileira, boa parte delas discursando ao longo das quase 4 horas de protesto, a atividade ganhou um caráter de manifesto conjunto contra a violência imperialista liderada por Trump.
Assim, também foram contornadas diferenças que existem quanto ao apoio ou não ao governo chavista e ao presidente Maduro. Ficou de certa forma acordado nos discursos que o momento exige um veemente repúdio ao ataque dos Estados Unidos à soberania do povo venezuelano e que o sequestro ordenado por Trump é inaceitável. Nada nessa ação bélica, disseram, envolve combate a drogas. É por petróleo, afirmaram – a Venezuela detém a maior reserva do mundo e o próprio Trump já declarou querer controlá-la. E por razões geopolíticas, que buscam impedir qualquer aproximação da América Latina a outras potências econômicas, como China e Rússia.
Passeata
Já começava a escurecer quando o ato deixou as escadarias e a proximidade da Câmara dos Vereadores do Rio e caminhou até o Consulado, percorrendo a rua Santa Luzia. Uma enorme bandeira da Venezuela, carregada pelas mãos de mais de duas dezenas de homens e mulheres, acompanhou toda a manifestação.
Entre as manifestantes, estava a servidora do CPII Elisabeth Dutra, também dirigente do Sindscope. Ela explicou que a ida ao ato expressou a urgência do momento político e a vontade de unir vozes para um mesmo grito: basta das intervenções militares dos Estados Unidos sobre outras nações. “O mundo precisa se levantar e dizer não a esse interventor”, disse à reportagem do Sindscope.
Sem deixar de mencionar a controvérsia em relação à avaliação política do governo Maduro, foi incisiva em condenar o que as tropas dos Estados Unidos fizeram, numa sangrenta intervenção sobre um outro país, assassinado pelo menos 32 oficiais cubanos que integravam a guarda presidencial em Caracas, capital do país. “O petróleo venezuelano é o que interessa a Trump. Precisamos todos ficar atentos, porque ele não esconde sua ganância por nossas terras raras”, disse.
Fazendo a coisa certa
Quando a manifestação terminou, na porta do Consulado, na avenida Presidente Wilson, já era noite. O protesto transcorreu sem incidentes e sob visível boicote por parte dos meios de comunicação comerciais, que pouco ou nada divulgaram sobre ele. Mas as avaliações eram, em geral, de que foi expressivo e fez barulho, deixando um grito no ar e um recado nas ruas, que se contrapõe aos setores da extrema direita que defendem o direito dos Estados Unidos atuarem como donos do mundo: abraçar a causa da Venezuela é urgente, seja por solidariedade, seja para impedir mais ataques a países da América Latina, o que inclui o Brasil. É, portanto, a coisa certa a fazer.
“[Nosso] ato é pela imediata libertação do presidente Nicolás Maduro e em solidariedade à Venezuela e à toda classe trabalhadora da América Latina, que está nesse momento resistindo ao jugo do império estadunidense. É um ato que mostra que nós vamos resistir e seguiremos nesta luta”, disse, ao final do protesto, o servidor Leandro Martins.
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