Alvo de operação da PF que investiga desvios, Jordy é um dos defensores da reforma que ataca os serviços públicos 

Sindscope segue divulgando os parlamentares do Rio que assinam a ‘reforma’ administrativa (PEC-38) que ameaça os serviços públicos. O deputado Carlos Jordy (PL) integra essa lista, que já contabiliza 33 desistências. Acusado pela Polícia Federal de desviar recursos públicos do gabinete, Jordy também votou a favor da PEC da Blindagem, derrubada pelas mobilizações populares em dezembro de 2025, que a batizaram de ‘PEC da Bandidagem’. O parlamentar se projetou na política como inimigo dos servidores e defensor do movimento acusado de tentar impor uma mordaça sobre a educação no Brasil, o ‘Escola Sem Partido’.

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Entre os deputados federais que subscrevem e defendem a reforma administrativa, agora representada no Congresso Nacional pela PEC 38/2025, está Carlos Jordy (PL), conhecido por suas posições contrárias aos serviços públicos e, em especial, à educação pública.

O político da extrema direita, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje encarcerado, é alvo de uma recente operação da Polícia Federal que o acusa de desviar recursos públicos de cotas parlamentares.

Em dezembro de 2025, a operação Galho Fraco da PF cumpriu mandados de busca contra ele e o seu colega de bancada e líder do PL, o deputado federal Sóstenes Cavalcante. Também do Rio de Janeiro e um dos que assinam a PEC-38, Sóstenes ficou conhecido nacionalmente ao alegar ter esquecido de depositar os mais de R$ 400 mil em espécie encontrados pela Polícia Federal em sua residência durante a operação.

A fraude, segundo a Polícia Federal, se daria em torno de uma locadora de veículos de fachada. O gabinete de Jordy teria destinado para aluguel de carros desta locadora, entre 2020 e 2024, 214 mil reais. Já Sóstenes Cavalcante destinou 192 mil para a mesma empresa. Ambos negam haver irregularidades ou desvio de recursos e se dizem vítimas de perseguição política.

PEC da Blindagem

O parlamentar defensor da moralidade nos serviços públicos também votou favoravelmente, em dezembro, à PEC da Blindagem. A proposta de emenda constitucional acabou sendo derrubada no Senado Federal após as grandes mobilizações de rua e da rejeição popular ao projeto. 

Popularmente conhecida como “PEC da Bandidagem”, a proposição defendida por Jordy estabelecia barreiras de proteção a parlamentares, que só poderiam ser processados pela Justiça, mesmo que envolvidos em crimes, com autorização formal encaminhada pelo presidente da Câmara ou do Senado e aprovada pelo conjunto dos próprios parlamentares.

‘Escola Sem Partido’ e a mordaça sobre a escola pública

Carlos Jordy está em seu segundo mandato como deputado federal – tendo tido uma queda considerável de votos de uma eleição para outra: cerca de 200 mil em 2018 e, quatro anos depois, 114 mil. 

Ele se projetou na política em Niterói, tendo como uma das bandeiras centrais o ataque  a instituições de ensino públicas e a defesa do ‘Escola Sem Partido’. O movimento conservador é apontado pelas entidades sindicais e setores acadêmicos de tentar impor uma mordaça na educação pública.

Brigas com o irmão, que faz acusações graves

O deputado Carlos Jordy também traz no seu histórico político momentos de briga explícita com o seu irmão, Renan Jordy, que é deputado estadual no Rio de Janeiro. Para rebater acusações do irmão, Renan gravou um vídeo no qual se dirige a Carlos. 

Sem citá-lo nominalmente, diz não ter sido ele que já foi um “vagabundo”, um “traficante”, um “líder de torcida violento”, um “ladrão” e um “criminoso contumaz” que fugiu de Niterói para o Sul do país e se coloca como “paladino da moralidade. Renan diz ainda que “o que faz com suas próprias emendas, a gente tem que perguntar ao chefe de gabinete dele”.

Quem é quem na lista da PEC-38

Com a publicação das listas de parlamentares, o Sindscope busca dar visibilidade aos 21 deputados e deputadas federais do Estado do Rio de Janeiro que assinam a proposta de reforma Administrativa.
Um dos parlamentares que assinava a proposição, Doutor Luizinho (PP/RJ), retirou a sua assinatura no dia 19 de novembro do ano passado. Dos 171 parlamentares que assinaram a proposta, número mínimo exigido para que uma proposta de emenda à Constituição Federal tramite no Congresso Nacional, 33 pediram a retirada de suas assinaturas. 

Esse movimento de debandada começou na semana em que as entidades sindicais, entre elas o Sindscope e o Sinasefe, promoveram a Marcha a Brasília contra a PEC-38 e em defesa dos serviços públicos, no final de outubro passado. O movimento contou com uma caravana do Sindscope, que fretou um ônibus para isso, e levou milhares de pessoas à capital federal do país.

A seguir, a lista dos deputados e deputadas federais do Rio de Janeiro que subscrevem a PEC-38, que ameaça os serviços públicos, separada por blocos que estão sendo divulgados nas redes sociais pelo Sindscope:

Pedro Paulo – PSD –
Caio Vianna – PSD
Hugo Leal – PSD
Laura Carneiro – PSD
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Sóstenes Cavalcante – PL
Altineu Côrtes – PL
Roberto Monteiro Pai – PL
Soraya Santos – PL
*
Carlos Jordy – PL
Aureo Ribeiro – Solidariedade
Luiz Lima – Novo
Otoni de Paula – MDB
*
Delegado Ramagem – PL
Julio Lopes – PP
Luiz Antônio Corrêa – PP
Ricardo Abraão – União
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Marcelo Crivella – Republicanos
Jorge Braz – Republicanos
Luciano Vieira – Republicanos
Luiz Carlos Gomes – Republicanos
Marcos Soares – União

*O deputado Doutor Luizinho (PP), que assinava a proposição, retirou o seu nome

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