‘Compa é pra já’: ato na Reitoria defendeu eleição imediata da comissão aprovada para combater assédios

No ato convocado por grêmios estudantis, com apoio do Sindscope e outras entidades, manifestantes disseram que luta contra assédios e violências sexuais têm pressa.  

IMPRENSA SINDSCOPE 

Pôr a Compa em ação, elegendo quem vai coordená-la e garantindo a estrutura necessária para que implemente a política aprovada de combate a assédios e discriminações no Colégio Pedro II. 

Na manifestação em frente à Reitoria em repúdio à violência sexual e pelo fim do que foi chamado de ‘silêncio institucional’ na escola, isso foi apontado como passo fundamental para previnir e enfrentar os casos de assédios, além de acolher as vítimas dessa prática.

O protesto realizado no dia 10 de março de 2026 ocorreu na semana seguinte à aprovação pelo Conselho Superior (Consup), pela terceira vez e com o mesmo teor, da proposta de combate a assédios e discriminações apresentada pelo Grupo de Trabalho Institucional criado pela Reitoria para tratar do tema.

A resolução havia sido votada e aprovada pela primeira vez no dia 17 de setembro de 2025. Mas somente foi publicada pela administração central do colégio, na forma de portaria, na manhã daquele dia. Exatamente 5h50min antes do horário marcado para o começo do ato.

A publicação é resultado da terceira votação na qual a proposta foi ratificada, ocorrida em 4 de março de 2026. A segunda vez foi em dezembro, quando o Consup aprovou uma resolução determinando que a Reitoria cumprisse a decisão da instância deliberativa máxima do CPII.  

Sob pressão 

Durante o ato em frente à Reitoria, convocado pelos Grêmios estudantis com apoio do Sindicato e outras entidades, representantes do Sindscope e do GT Mulheres ressaltaram que a decisão só foi convertida em portaria após muita pressão e reiteradas cobranças. E após a repercussão do grave caso de violência sexual contra uma estudante, cometido por outros estudantes, dois deles também do CPII. 

A manifestação também teve a defesa do respeito às decisões do Consup, e que a proposta aprovada, agora finalmente publicada, seja imediatamente posta em prática. A servidora docente Priscila Bastos disse que a Compa é a base da política aprovada. “A gente sabe que oito em cada dez mulheres vítimas de violência não abrem processo, fazem denúncia porque os abusadores fazem parte das suas redes relações, das redes de relações de seus colegas, e quem é revitimizada, quem é sempre julgada, somos nós mulheres”, disse durante o ato. 

Observou que é justamente para que isso não aconteça, que que se propôs uma “comissão permanente de acolhimento e de prevenção” aos casos de assédios. “E tem esse nome, gente, porque é Compa de companheira mesmo. A gente precisa ter um lugar seguro, um lugar de confiança, para que a gente possa falar sobre as questões que nos afligem”, explicou.

O diretor do Sindscope David Coelho disse que a insistência da Reitoria em não publicar o que já havia decidido foi um grave desrespeito ao Consup e à comunidade escolar. “Foi aprovado duas vezes no Conselho Superior e a reitora não apenas não portariou, como disse numa reunião que não iria portariar. Não apenas não cumpriu, como disse que não ia cumprir”. O desrespeito do Conselho Superior por parte da Reitoria é uma coisa lamentável e vergonhosa”, criticou. 

A terceira vez em que o texto foi aprovado 

A votação da mais recente decisão do colegiado que determinava a publicação da proposta, agora como política de combate aos assédios e discriminações, ocorreu após um acordo que envolveu a maioria dos conselheiros e conselheiras, incluindo a reitora Ana Paula Giraux. Ao levar a matéria a voto, Ana Paula, que presidia a reunião, disse o seguinte: 

“Vamos votar a manutenção da Portaria 0400 como um Plano Setorial, com a menção à política que estará regulamentada em outra portaria. O documento aprovado aqui anteriormente, no Consup em setembro, passará a ter o título de Política Institucional de Combate aos Assédios e Discriminações em todas as suas Dimensões. Será aprovado imediatamente em toda a sua integralidade. No entanto, o Grupo de Trabalho, conforme sugerido pela reitora, se compromete a fazer essa revisão dos seus ajustes ao longo do tempo, para que depois a versão ajustada [pelo GT] com seu escopo ampliado volte ao Conselho Superior”.

O texto com os novos encaminhamentos foi outra vez aprovado, sem votos contrários e com duas abstenções. Logo em seguida, a conselheira Luiza Colombo reiterou que o que havia acabado de se votar e acordar incluía a imediata convocação da eleição e instalação da Compa, Comissão Permanente para a Prevenção e Enfrentamento aos Assédios Moral e Sexual, Importunação Sexual, Discriminações, Racismo e Injúria Racial.

“Gostaria que constasse em ata que foi aqui acordado que a administração vai organizar e viabilizar a efetivação da Compa a partir do momento da publicação. Que os ajustes que serão realizados pelo GT não implicam em absolutamente nada na efetivação da política [aprovada aqui]”, observou, reforçando o que havia sido definido de forma consensual, sem proposições contrárias, na reunião do dia 4 de março de 2026.

A primeira reunião do Grupo de Trabalho institucional após a publicação da portaria foi convocada pela Reitoria para a tarde da terça-feira (16), com o objetivo de encaminhar os ajustes no texto que estabelece como vai ser a política de enfrentamento aos assédios. Até esta data, a administração central ainda não havia divulgado quando ocorrerá a eleição da Compa.

Para acessar a Portaria 823/Reitoria/CPII, de 9 de março de 2026, no site do CPII – clicar aqui

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