Decisão da assembleia repudia condenação do metalúrgico e presidente do PSTU após denunciar agressões do Estado de Israel e reforça solidariedade à luta palestina e contra o genocídio em Gaza.
IMPRENSA SINDSCOPE
Em meio à morte de mais de 70 mil palestinos, quase todos civis e 70% mulheres e crianças por ataques bélicos do Estado de Israel, a 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo decidiu condenar a dois anos de prisão um metalúrgico e militante político brasileiro que discursou contra o que até a Organização das Nações Unidas já definiu como ‘genocídio’.
Em repúdio a essa decisão, a assembleia geral do Sindscope aprovou consensualmente uma moção que também se solidariza com José Maria de Almeida, alvo da condenação, sobre a qual cabe recurso, e com a luta do povo palestino. Zé Maria, como é conhecido, é presidente do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e vem atuando nas campanhas que condenam as agressões aos povos do Oriente Médio promovidas pelos governos de Israel e dos Estados Unidos.
O discurso em questão foi feito durante um ato, em 2023, que denunciava o genocídio do povo palestino. A ação foi ajuizada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). As entidades, mantidas pelo Estado de Israel, promovem campanhas de perseguição judicial contra jornalistas e figuras públicas que se colocam contra o genocídio imposto por Israel em Gaza ou simplesmente narram o que está acontecendo naquela parte do mundo.
A moção será elaborada pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino instituído pelo Sindscope. A proposta foi apresentada na assembleia pelo servidor Luiz Sérgio, que explicou o teor do discurso alvo da condenação e fez a distinção entre antissionismo e antissemitismo. “Não foi uma postura antissemita. O Estado israelense é um Estado sionista. O ataque do companheiro José Maria não foi contra os judeus, foi contra este Estado nazista e genocida”, disse. O sionismo é uma ideologia de extrema direita e nada tem a ver com etnia ou opção religiosa.
O servidor mencionou ainda que o governo israelense de Benjamin Netanyahu adota uma política expansionista e vem atacando e agredindo, sob o aval dos Estados Unidos, outros povos do Oriente Médio, como o iraniano e libanês. Ressaltou que, no mais recente ataque ao Líbano, Israel assassinou brasileiros de origem libanesa radicados naquele país.
O governo de Netanyahu já foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), que em 2024 emitiu mandados de prisão contra ele e o seu ministro de Defesa, Yoav Gallant. Em 2025, uma comissão da ONU afirmou que Israel cometeu atos de genocídio em Gaza, com assassinatos, danos físicos e mentais, imposição de condições de vida destrutivas e de medidas para restringir nascimentos.
A decisão judicial contra Zé Maria, de primeira instância, prevê o cumprimento da pena em regime aberto. Mas há possibilidade de recurso ao Tribunal Regional Federal da 3a Região, que deverá ser apresentado em breve. Concomitante, uma campanha já em curso defende a revogação da sentença em nome da liberdade de manifestação, de defesa dos direitos humanos e de repúdio ao genocídio em curso na Faixa de Gaza.
Movimento que ressalta que a decisão tenta criminalizar a luta em defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas e, por razões óbvias, é um ataque ao conjunto dos movimentos sociais e sindicais do país.
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