Manifestação marcada para 10h, na Vila Cruzeiro, acontece pouco depois da segunda maior chacina da história do Rio e da asfixia até a morte por policiais de um homem negro no Sergipe
IMPRENSA SINDSCOPE
A Marcha da Periferia no Rio de Janeiro, que acontece neste sábado, 4 de junho de 2022, levará às ruas a luta pelo fim do genocídio do povo. A manifestação ocorrerá na favela Vila Cruzeiro, na Penha, a partir das 10 horas – na Praça São Lucas, próximo ao Mercado Intercontinental.
O protesto acontece na comunidade que, há menos de duas semanas, viveu dias de terror com a operação policial que matou pelo menos 26 pessoas. Segundo moradores, boa parte sem quaisquer envolvimentos com o tráfico de drogas – o que não impediu o governador Claudio Castro, assim como o presidente Jair Bolsonaro, de parabenizar os policiais.
O governador do Rio disse que a operação foi um sucesso e que tudo transcorreu de forma perfeita. Já o presidente Bolsonaro, além de parabenizar os policiais envolvidos na chacina, também se manifestou sobre outro caso que repercutiu mundialmente. Em uma live, chamou o trabalhador Genivaldo de Jesus, morto asfixiado por policiais rodoviários federais, de “vagabundo”.
Genivaldo, que sofria de esquizofrenia, foi abordado ao dirigir uma moto sem capacete numa estrada em Sergipe. Amarrado e trancado com as pernas para fora na mala de um carro da corporação, foi submetido a grande quantidade de gás lacrimogêneo. Chegou morto ao hospital. Toda a ação policial foi filmada e os vídeos percorreram rapidamente as redes sociais.
Apesar disso, até hoje nenhum policial envolvido foi preso. A procuradora Eunice Dantas, do Ministério Público Federal em Sergipe, disse a jornalistas que está focada em buscar provas e que não solicitou a prisão preventiva dos policiais ainda porque isso seria uma medida “excepcional”, que necessita de “motivos para tanto”, o que ainda não seria o caso. Não mencionou se desconsidera os vídeos e as testemunhas das cenas da asfixia na ‘câmara de gás’ improvisada, o que remete aos métodos nazistas, como provas da ‘excepcionalidade’.
Servidoras e servidores do Colégio Pedro II participaram, no sábado passado, de ato no Monumento Zumbi dos Palmares também pelo fim do genocídio e das chacinas. Dirigentes do Sindscope e coordenadores do Núcleo de Negras e Negros estiveram presentes. A diretoria do Sindicato também estará representada no ato na Vila Cruzeiro e convida a comunidade escolar a participar e apoiar esta manifestação.
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