Manifestação conjunta da comunidade escolar em São Cristóvão dirá que é inaceitável que, em meio ao caso gravíssimo de violência sexual contra uma estudante e a outras denúncias, a Reitoria não implemente de forma célere e imediata a política por três vezes aprovada no Conselho Superior.
IMPRENSA SINDSCOPE
Quando começar a manifestação em frente à Reitoria do Colégio Pedro II, em São Cristóvão, às 14 horas desta terça-feira (10), a contagem do tempo será inevitável e deixará exposta a Reitoria da instituição.
Fará exatamente 142 horas, ou quase seis dias, que o colegiado deliberativo máximo do CPII, composto por representantes de todos os segmentos, aprovou pela terceira vez em seis meses a proposta de prevenção, enfrentamento e acolhimento contra assédios e discriminações.
A primeira vez que isso ocorreu foi em 17 de setembro de 2025. De lá para cá, a Reitoria não tomou qualquer medida que, na prática, sinalizasse vontade de acatar a decisão. E, assim, construir as condições para dar à escola ferramentas que permitam enfrentar essa tragédia brasileira, escancarada em números oficiais recordes e casos bárbaros de violências sexuais e feminicídios.
Quando o ato convocado para esta terça (10) começar, no mês em que se celebra as lutas das mulheres em todo o mundo, os relógios vão marcar uma triste passagem de tempo no CPII: 4.154 horas desde que conselheiras e conselheiros aprovaram, por ampla maioria, o plano agora chamado de política de enfrentamento que estabelece detalhadamente, em 32 páginas, as bases para combater toda forma de assédio no colégio. Resolução até hoje não publicada pela administração central do Colégio Pedro II.
O protesto articulado conjuntamente por organizações da comunidade escolar, sob a liderança dos Grêmios, vai repudiar a violência e cobrar a celeridade que vem faltando à Reitoria.
Todo mundo sabe que, fora da ficção, não dá para retroceder no tempo. Mas quando as estatísticas do ano passado registraram quatro feminicídios e dez tentativas de assassinatos de mulheres por dia no Brasil, causa estranhamento que mulheres e meninas da instituição tenham que ir ao ato para expor e clamar pela óbvia urgência.
Foi preciso repetir o óbvio por três incontestáveis votações no Consup. Agora caberá à manifestação lembrar a Reitoria que já passou da hora de rever o erro. Demonstrar com ações que, para além do discurso, respeita o Consup e se preocupa de fato com a vida e a segurança das mulheres, meninas, homens e meninos dos 14 campi do Colégio Pedro II. Cada minuto a mais nessa postergação por parte da Reitoria poderá custar caro a toda comunidade escolar
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