Nota do Grupo de Trabalho de Negras e Negros do Sindscope sobre recentes e recorrentes casos de violência policial.
Nesta semana, presenciamos fatos de extrema gravidade, que evidenciam uma total falta de empatia e desrespeito ao ser humano.
Ainda mais quando esse humano é racializado, tem classe social e gênero. E, junto a tudo isso, é morador de periferia, um favelado.
Podemos acompanhar esses casos por meio das mídias alternativas, via internet, e até mesmo pelos grandes jornais. São fatos que não podem ser silenciados.
Apesar disso, o grande responsável, o chefe que está por trás disso tudo, continua calado e nada faz, como se isso não fosse de sua alçada. Estamos falando do governador Tarcísio de Freitas, atual mandatário de São Paulo.
Mas vamos aos ocorridos na capital mais importante e rica da América do Sul: uma mãe de cinco filhos é covardemente assassinada ao chegar em casa com seu esposo por uma policial que se sentiu no direito de demonstrar seu poder, após a mulher reclamar de um esbarrão de uma viatura.
A policial, sem mais nem menos, dispara tiros certeiros, enquanto seus colegas impedem que a vítima receba os primeiros socorros que poderiam salvá-la. Morre essa mãe, deixando cinco filhos menores e o marido.
O outro caso, também cometido por PM: uma trabalhadora diarista, ao cobrar pelo serviço realizado na casa de uma família branca, não recebe o pagamento e decide exigir o que é seu. A polícia chega e ela, diante de suas duas filhas menores, age de forma violenta e covarde. É presa, e seus direitos humanos são jogados por terra, junto com sua dignidade.
Nesses dois casos, como em tantos outros que aconteceram, acontecem e ainda acontecerão por este país, vemos a polícia executando a necropolítica, exatamente sobre corpos de pessoas periféricas, pobres e pretas. Há uma lógica incutida na ação desses agentes sobre quem deve viver e quem deve morrer, sem qualquer justificativa legítima.
Um basta, ou ao menos um começo de mudança, depende da organização da sociedade como um todo. Isso não atinge apenas os mais vulneráveis. Sem controle social sobre essas forças de repressão do Estado, corre-se o risco de que essa violência se desloque, a qualquer momento, para qualquer grupo. Seguindo a visão de mundo de quem está no poder, muitas vezes alinhada a uma elite herdeira de uma formação escravocrata e colonial, que continua reproduzindo esse modelo em uma sociedade estruturalmente opressora.
Não basta se indignar. É preciso lutar contra o opressor.
